A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prepara uma nova etapa tecnológica para fiscalizar o mercado de capitais. O plano prevê o uso de inteligência artificial na supervisão das operações e a criação de novas infraestruturas para testar tokens, ativos digitais que representam itens do mundo real.
O presidente da CVM, Otto Lobo, avaliou como “muito bom” o início de sua gestão e destacou que a autarquia deverá receber informações com mais velocidade. A proposta é acompanhar as operações em tempo real e identificar possíveis irregularidades antes que elas avancem.
“A tônica agora da CVM é agir proativamente”, disse Lobo. Ele comparou o novo modelo a uma telemetria, com monitoramento contínuo das operações e das informações do mercado.
Tokenização e supervisão
O Grupo de Trabalho de Tokenização foi formado há 60 dias e já elabora recomendações para a tokenização do mercado de capitais no Brasil. A iniciativa está relacionada à segunda fase do desenvolvimento tecnológico da CVM, voltada às novas infraestruturas.
Nesse estágio, a autarquia pretende ampliar o acompanhamento dos ativos e obter informações contábeis, incluindo dados sobre os FDICs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). A primeira fase concentra-se na adoção de inteligência artificial para a supervisão.
O desenvolvimento tecnológico conta com apoio do governo dos Estados Unidos. Para Otto Lobo, o Brasil tem a oportunidade de liderar essa agenda na América Latina.
A CVM também prevê a ampliação do quadro de funcionários. A reguladora informou que precisa de 1.215 novos servidores. Além disso, deve receber recursos relacionados à taxa de fiscalização, destinados à autarquia em razão de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).


