A estrategista sênior de moedas do Goldman Sachs, Teresa Alves, avalia que o dólar pode recuar para uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 caso o cenário eleitoral no Brasil seja favorável ao mercado e indique uma política fiscal mais rígida. Se as condições atuais forem mantidas, a moeda americana pode chegar a R$ 5,80.
A análise foi apresentada em relatório enviado nesta quarta-feira (23) a clientes. Alves considera plausível a valorização do real no primeiro cenário, mas classifica essa possibilidade como otimista.
Comparação com a Colômbia
A estrategista usa o comportamento recente do peso colombiano como referência, já que as duas moedas tendem a apresentar movimentos semelhantes. Durante o ciclo eleitoral da Colômbia, o peso caiu 15%.
Alves ressalta, porém, que os riscos fiscais e de inflação e as dúvidas sobre a credibilidade da política monetária eram mais fortes no país vizinho do que são hoje no Brasil antes da eleição. Segundo ela, a troca de governo na Colômbia provocou uma redução maior no prêmio de risco específico do país.
No caso brasileiro, a perspectiva de uma política fiscal mais rígida poderia abrir espaço para novos cortes de juros. Isso reduziria a atratividade do chamado carry, retorno obtido pela manutenção de um ativo financeiro ao longo do tempo, depois da eleição.
Reação do câmbio
Nas últimas eleições presidenciais brasileiras, o câmbio registrou oscilações importantes na semana anterior ao primeiro turno. Em 2014 e 2022, parte desse movimento foi revertida antes do segundo turno. Em 2018, o real atingiu seu nível mais alto na sexta-feira anterior ao segundo turno.
Para Alves, o mercado pode direcionar rapidamente sua atenção aos efeitos práticos das políticas públicas após o primeiro turno, como ocorreu também em 2002. “As mudanças de diretrizes políticas no pós-eleição, e não o resultado em si”, são o fator que pode levar o real a níveis diferentes, afirmou a estrategista.



