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Economia

Eleições mexem com o dólar, mas contas públicas pesam mais no longo prazo

O câmbio reage ao cenário eleitoral, ao dólar global e, principalmente, à trajetória fiscal do governo eleito.

Eleições mexem com o dólar, mas contas públicas pesam mais no longo prazo

A eleição pode influenciar o câmbio, mas o comportamento do dólar não depende apenas do resultado nas urnas. O ciclo global da moeda americana e a situação das contas públicas brasileiras também têm papel decisivo, especialmente depois da eleição.

Nas últimas seis eleições presidenciais, o real perdeu, em média, 16,8% do valor nos seis meses anteriores ao primeiro turno. Quando a eleição de 2002 é retirada da comparação, a média cai para 8,2%. A diferença é explicada pelas condições daquele período, marcado por reservas baixas, dívida externa elevada, moeda recente e forte aumento do prêmio de risco.

Em outros ciclos, o comportamento foi diferente. O real se valorizou em 2006 e 2010 e ganhou força nos 30 dias anteriores à votação em 2018. Por isso, existe um efeito eleitoral sobre o câmbio, mas os dados não permitem estabelecer uma regra fixa para o dólar.

O cenário internacional também pesa

O desempenho do real precisa ser analisado junto com o movimento do dólar no mundo. Em parte das janelas eleitorais, o DXY, índice que compara a moeda americana com uma cesta de divisas desenvolvidas, também estava em alta. Isso ajudou a explicar a valorização do dólar diante do real tanto quanto, ou até mais que, o calendário político brasileiro.

O real é influenciado pelos preços de commodities e pelos termos de troca do país. Uma balança comercial forte e a entrada de dólares pelo comércio funcionam como proteção para a moeda. Petróleo e commodities agrícolas contribuíram para a melhora desses termos de troca.

Outro fator é a diferença entre os juros brasileiros e americanos. Durante boa parte do ano, a Selic ficou em 14%, enquanto o juro dos Estados Unidos estava perto de 3,50%. Esse intervalo, conhecido como carry, atrai investidores estrangeiros enquanto houver confiança de que não ocorrerá um problema político ou fiscal.

Em 2025, o dólar teve uma das piores performances em décadas. Em 2026, esse movimento perdeu força e deu sinais de reversão. Contra o real, a moeda americana caiu 11% em 2025 e recuou 5% no ano, enquanto o índice do dólar subiu cerca de 3%.

A conta fiscal permanece no centro

A dívida bruta do governo geral aumentou de 74,4% do PIB no fim de 2023 para 82% em julho de 2026. A projeção aponta para algo próximo de 100% do PIB em 2035. O Fundo Monetário Internacional estima que a dívida brasileira avance mais rapidamente que a de outros países emergentes nos próximos anos.

O problema envolve não apenas o tamanho da dívida, mas também o custo para carregá-la. O juro real de dez anos está acima de 7%, enquanto o crescimento do PIB fica próximo de 2%. Para estabilizar a dívida, seria necessário um superávit primário superior a 4% do PIB.

Os resultados primários, porém, têm registrado déficits recorrentes. Em julho, o resultado nominal chegou a 10% do PIB, pressionado pelos juros. Ao mesmo tempo, o governo anunciou um pacote de medidas de R$ 200 bilhões, com crédito, programas sociais, isenções e renegociações.

A composição das despesas também limita o espaço para cortes. Benefícios previdenciários, gastos com pessoal e encargos sociais e outras despesas obrigatórias reduzem a margem de decisão do governo. A elevação de impostos, sem mudanças nas despesas, tende a produzir pouco ganho de credibilidade.

O episódio de 2014 mostra que o câmbio pode reagir depois da votação. Naquele caso, a depreciação relevante ocorreu meses após a eleição, quando a política econômica foi considerada inconsistente. O mercado, portanto, acompanha a forma como o governo eleito responde às restrições fiscais.

Para quem investe, a recomendação apresentada é não transformar pesquisas ou resultados eleitorais em estratégia cambial. A diversificação internacional e os aportes recorrentes reduzem a dependência de uma tentativa de acertar o melhor momento do mercado.

O estudo Ir para o exterior (FGVcef) analisou 80 janelas de dez anos desde 2010. Em todas elas, aportes mensais constantes superaram a tentativa de escolher o momento exato de investir, com vantagem mediana de 10,1 pontos percentuais em renda variável nos Estados Unidos e de 2,8 pontos em crédito privado.

A eleição define o resultado político, mas o câmbio tende a reagir também à condução das contas públicas pelo próximo governo. A trajetória da dívida, os juros e a credibilidade fiscal podem pesar mais que o resultado da votação ao longo do tempo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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