O dólar fechou esta segunda-feira em alta de 0,86%, a R$ 5,2265, no maior valor de fechamento desde 30 de março. A moeda chegou a superar R$ 5,22 durante a manhã e acompanhou o movimento global de valorização da moeda norte-americana diante do aumento da aversão ao risco nos mercados.
O principal fator de pressão veio do impasse entre Estados Unidos e Irã sobre o encerramento do conflito no Oriente Médio e a reabertura total do Estreito de Ormuz. A indefinição manteve o petróleo em níveis elevados e ampliou os temores de novas pressões inflacionárias.
Dados fortes de atividade nos Estados Unidos e declarações firmes de dirigentes do Federal Reserve também levaram os juros dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, para cima. O movimento prejudicou as moedas de países emergentes.
“A expectativa de mais aumento de juros pelo Fed levou a um fortalecimento do dólar frente a todas as outras moedas nos últimos dias”, afirmou o economista Fabrizio Velloni. Ele também citou preocupações com a inflação relacionadas à alta do petróleo, à migração e ao efeito das tarifas.
Influência do cenário doméstico
Embora o ambiente externo tenha sido o principal fator para a formação do câmbio, investidores também demonstraram cautela com o cenário eleitoral brasileiro e com medidas recentes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre elas a proibição das bets e o reajuste do Bolsa Família.
O real teve perdas menores que outras moedas latino-americanas. A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostrou uma disputa apertada em eventual segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Lula. Os dois apareceram com 42% das intenções de voto. Na sondagem anterior, Flávio tinha 42%, e Lula, 41%.
Para Velloni, as medidas do governo indicam piora das contas públicas, mas ainda não elevaram o prêmio de risco associado à moeda brasileira pela possibilidade de alternância de poder. Ele prevê aumento da volatilidade nesta semana, com o acirramento das campanhas.
O estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, Mark McCormick, afirmou que os mercados parecem “estar precificando” um resultado mesmo diante de uma disputa muito apertada. Na avaliação dele, uma eventual vitória de Flávio poderia trazer um rali inicial, mas uma maior credibilidade fiscal também poderia reduzir o prêmio de risco e abrir espaço para cortes da taxa Selic, diminuindo um dos principais suportes do real.
O dólar acumula alta de 0,90% em setembro, depois de avançar 2,16% em agosto.



