MINAS GERAIS — A demanda da indústria de fundição em Minas Gerais caiu cerca de 40% neste ano em comparação com 2025, segundo Bráulio Campos, presidente do Sindicato da Indústria de Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg). O setor enfrenta dificuldades nas vendas internas e externas, com impactos das importações e dos juros altos.
As vendas para o mercado brasileiro representam a maior parte dos negócios das fundições. Já as exportações correspondem atualmente a menos de 10%. Campos afirma que o país tem recebido um volume elevado de peças e produtos do exterior, principalmente da China, o que enfraquece a indústria nacional.
As fundições fornecem componentes para setores como o automotivo e o agrícola. Entre os exemplos citados por Campos está a perda de espaço, no mercado interno, das fabricantes de tratores pequenos para modelos importados da China. Ele também mencionou a entrada de carros chineses e seus reflexos sobre a produção local.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a produção de veículos aumentou 8,5% de janeiro a agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Porém, dois terços do crescimento vieram de veículos CKD/SKD, montados no país com kits importados.
Juros e investimentos
Para o presidente do Sifumg, o nível atual dos juros também prejudica o setor porque reduz os investimentos de clientes e das próprias fundições. Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) definiu a Selic em 13,75% ao ano, depois de uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.), a quinta consecutiva.
Ainda estão previstas duas reuniões do colegiado em 2026, em novembro e dezembro. A projeção do mercado financeiro citada no Boletim Focus da segunda-feira (28) indica mais um corte de 0,25 p.p., levando a taxa para 13,50%.
Campos afirma que não há investimentos relevantes em novas indústrias ou ampliações e que o único movimento em andamento nas fundições é a compra de equipamentos modernos para substituir mão de obra. Segundo ele, uma máquina pode substituir 20 ou 30 funcionários, com retorno do investimento em três ou quatro anos.



