BELO HORIZONTE — A greve de empregados da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil começa nesta quinta-feira (10) em instituições de Belo Horizonte e da Região Metropolitana. O sindicato da categoria ainda não informou quantas agências devem aderir à paralisação.
A interrupção pode afetar serviços como assinatura de financiamento imobiliário, liberação de crédito aprovado e abertura de conta. Para o advogado e especialista em Direito do Consumidor Leonardo Werlang, os bancos podem transferir agendamentos para canais digitais ou remarcar procedimentos, mas precisam avisar os clientes com antecedência e oferecer uma alternativa real.
“O que não pode acontecer é simplesmente cancelar ou empurrar indefinidamente um procedimento essencial”, afirmou Werlang. Segundo ele, a falta de solução concreta pode caracterizar falha na prestação do serviço prevista no Código de Defesa do Consumidor.
Orientações aos clientes
O especialista afirma que a greve é um direito constitucional, mas seus efeitos não devem ser transferidos ao consumidor. As instituições financeiras, segundo Werlang, precisam criar formas alternativas de atendimento para reduzir prejuízos causados pela suspensão das atividades.
Ele também orienta os clientes a preservar contratos, comprovantes de agendamento, protocolos e mensagens que demonstrem que eventual atraso foi provocado pelo banco. As condições já negociadas, como taxa de juros, valor do crédito e prazo, devem ser mantidas mesmo se a formalização ocorrer depois da data prevista.
Em caso de problema, a recomendação é procurar primeiro o banco. Se não houver solução pelo Serviço de Atendimento ao Cliente, o consumidor pode recorrer à ouvidoria da instituição. Também é possível registrar reclamação no Procon e no consumidor.gov.br, plataforma que exige resposta do banco em até dez dias. O Banco Central oferece ainda o canal BC Resolve.
Em situações urgentes, como o risco de perder um imóvel por atraso na assinatura de um financiamento, o consumidor pode buscar diretamente o Judiciário, inclusive com pedido de tutela de urgência, sem precisar concluir todas as tentativas administrativas.
Motivos da paralisação
A greve foi deflagrada na última sexta-feira (4), após a rejeição da proposta final da Federação Nacional dos Bancos para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho no período de 2026 a 2028. A proposta previa reajuste salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, acrescido de 0,6% de aumento real neste ano e em 2027, além da aplicação sobre verbas como vale-alimentação, auxílio e outros valores previstos na convenção.
Também estavam incluídos reajuste e manutenção do modelo de Participação nos Lucros e Resultados, preservação dos direitos da convenção, abono da paralisação de 20 de agosto e medidas sobre riscos psicossociais, assédio de clientes, monitoramento digital, direito à desconexão e fechamento de agências.
Entre os empregados da Caixa, a proposta foi rejeitada por 93,5%, enquanto a greve recebeu 68,2% dos votos. No Banco do Brasil, a rejeição ficou em 81%, e a paralisação foi aprovada por 47,1%, contra 43,9% favoráveis à retomada das negociações sem greve.
Mobilização em Minas Gerais
Na quarta-feira (9), bancários participaram de uma audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para discutir a campanha salarial de 2026 em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. O encontro foi convocado pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, a pedido da deputada Beatriz Cerqueira.
Durante a audiência, a deputada defendeu o direito da população ao atendimento nas agências. O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região, Ramon Peres, informou que foi protocolado um ofício ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, com cópia ao presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes.
A Caixa afirmou que mantém o diálogo com as entidades representativas e busca uma solução para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho e da Convenção Coletiva, com compromisso de continuidade dos serviços. O Banco do Brasil disse que participa das negociações da Federação Nacional dos Bancos e mantém uma mesa específica com as entidades sindicais para tratar de questões do funcionalismo.



