O Ibovespa chega a uma quarta-feira marcada por decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed) eleve a taxa na mesma proporção, para o intervalo de 3,75%-4,00% ao ano.
As decisões podem influenciar o câmbio, os juros dos títulos americanos e o desempenho de mercados emergentes. No Brasil, o anúncio do Copom está previsto para 18h30, pelo horário de Brasília. Além do resultado, investidores devem analisar o comunicado do Banco Central em busca de indicações sobre o ritmo e a extensão dos próximos cortes.
Indicadores econômicos no radar
Antes da decisão brasileira, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de julho será divulgado às 9h. A mediana das projeções aponta queda de 0,10%, depois de recuo de 0,64% em junho. O indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Também está prevista a divulgação do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de setembro pela Fundação Getulio Vargas.
Nos Estados Unidos, o Fed anuncia sua decisão às 15h. A projeção predominante é de alta de 0,25 ponto percentual, com a taxa passando de 3,50%-3,75% para 3,75%-4,00%. A comunicação do banco central e as sinalizações do presidente Kevin Warsh serão observadas pelo mercado.
A reunião ocorre após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto apontar inflação de 3,4% em 12 meses. A alta do petróleo também está no foco: a cotação superou US$ 108 na terça-feira, em meio às tensões no Oriente Médio. Ainda nos Estados Unidos, as vendas no varejo de agosto devem ser divulgadas, com projeção de alta de 0,7%, após queda de 0,6% em julho.
Desempenho dos mercados
Na terça-feira (15), o Ibovespa avançou 0,54%, aos 186.502,64 pontos. A Petrobras sustentou o índice, enquanto a Vale limitou os ganhos. O dólar fechou em alta de 0,14%, a R$ 5,1551.
As ações PETR3 subiram 3,63%. No mercado de petróleo, o Brent para novembro avançou 2,90%, a US$ 108,75 por barril, e o WTI para outubro ganhou 4,38%, a US$ 105,83. A movimentação ocorreu em meio a preocupações com a oferta na região, após ataques contra infraestrutura na Arábia Saudita.
Em Nova York, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 recuaram 0,63%, 0,78% e 0,45%, respectivamente.
O mercado também acompanha um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado ao ministro Alexandre de Moraes e ao Banco Master. Na noite de terça-feira, um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise sobre a possível abertura de investigação contra Moraes.
Para Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, o mercado tende a separar o ruído político de mudanças efetivas e do risco institucional. “Isso aumenta a incerteza e pode adicionar prêmio de risco”, afirmou, ao comentar a divisão interna exposta no STF e a falta de solução para o mérito do caso.



