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Incentivos para mudança atraem poucos moradores a áreas rurais dos EUA

Programas oferecem dinheiro e benefícios, mas enfrentam falta de moradias, empregos e serviços para manter novos moradores.

Incentivos para mudança atraem poucos moradores a áreas rurais dos EUA
Foto: Adobe Stock

CONDADO DE LINCOLN, KANSAS — Programas que oferecem dinheiro para atrair moradores a cidades e condados rurais dos Estados Unidos têm conseguido resultados limitados. A falta de moradias, empregos bem remunerados, serviços e opções de lazer continua dificultando a chegada e a permanência de novos habitantes.

No condado de Lincoln, no Kansas, Kelly Gourley criou em 2023 um programa voltado a trabalhadores remotos. A iniciativa atraiu cinco pessoas no primeiro ano, algumas acompanhadas dos filhos. Depois, porém, apenas uma pessoa se qualificou para um novo incentivo estadual, e três dos trabalhadores que haviam chegado deixaram a região.

“Assim como vêm fácil, vão fácil”, disse Gourley, diretora de desenvolvimento econômico local.

Dinheiro como porta de entrada

A estratégia ganhou força depois da pandemia de covid-19, que aumentou a possibilidade de trabalho remoto para parte dos profissionais de escritório. O custo elevado da moradia também afastou moradores das grandes cidades. Nos últimos cinco anos, condados rurais dos Estados Unidos voltaram a registrar crescimento populacional depois de décadas de perdas, segundo dados do Census Bureau.

O programa Tulsa Remote, iniciado em 2018, oferece US$ 10 mil a trabalhadores com empregos remotos e já atraiu 4 mil pessoas para Tulsa. A plataforma MakeMyMove, criada por ex-executivos da Angi, conecta interessados em se mudar a comunidades que buscam novos moradores. A empresa estima que 1.500 pessoas se mudarão neste ano por meio da plataforma.

Indiana destinou mais de US$ 7,8 milhões a incentivos, enquanto Wisconsin aprovou US$ 5 milhões. Em Vermont, o Legislativo encerrou em 2023 uma experiência de cinco anos. No condado de St. Clair, em Michigan, o programa iniciado em 2016 foi reduzido.

Algumas localidades passaram a priorizar investimentos que beneficiem também quem já mora na região. Em Newton, Iowa, a prefeitura paga US$ 10 mil a quem compra uma casa nova avaliada em mais de US$ 240 mil. Até agora, 132 pessoas receberam o benefício, embora metade já vivesse na cidade.

Detroit lançou um programa de US$ 500 mil, com previsão de conceder 313 benefícios. Os recursos podem ser usados por moradores atuais e por recém-chegados, com direcionamento para imóveis residenciais e negócios que gerem ganhos para a cidade.

Moradia e renda são obstáculos

No Kansas, o Estado reservou US$ 3 milhões para incentivos ao longo de dois anos e distribuiu o dinheiro entre 12 administrações locais. Ottawa, com quase 13 mil habitantes, informou estar perto da meta de atrair dez famílias. Salina avançou no plano de trazer 20 famílias em dois anos.

Outras cidades não conseguiram distribuir todos os recursos. Um dos critérios exige salário anual mínimo de US$ 55 mil, valor que nem professores de escolas rurais recebem. A falta de moradias também impediu resultados.

Ottawa ofereceu terrenos gratuitos para quem quisesse construir uma casa, mas não encontrou interessados. Quatro residências foram construídas com recursos estaduais e compradas rapidamente por pessoas que já viviam no Kansas.

Em Neodesha, cidade de cerca de 2.500 habitantes a leste de Wichita, nenhum incentivo havia sido concedido. Chris Bauman, diretor de desenvolvimento comunitário, afirmou que a falta de apartamentos afastou interessados que chegaram a procurar o programa de lugares tão distantes quanto Nova York.

“Ela quer testar como é viver aqui”, disse Bauman sobre uma pessoa que avalia se mudar para uma comunidade distante.

Integração comunitária

Para Gourley, o dinheiro ajuda a chamar a atenção, mas não resolve sozinho os problemas locais. Além do incentivo financeiro, o programa oferecia ovos frescos de fazenda durante um ano e voluntários para ajudar na mudança. Ela também auxiliava os recém-chegados a fazer amizades e a participar de organizações locais.

A diretora considera que a integração é essencial para manter os moradores. “Acho que o incentivo em dinheiro é a isca”, afirmou. “Chama a atenção das pessoas, mas provavelmente é o que acontece depois que mais importa.”

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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