O planejamento financeiro dos brasileiros alcançou 52,7 pontos em uma escala de 0 a 100, segundo o Índice Planejar, apresentado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro nesta quinta-feira (10). O resultado indica um nível intermediário: há maior controle das contas mensais, mas dificuldades para formar reservas e se preparar para a aposentadoria.
A pesquisa foi encomendada pela Planejar ao Datafolha e ouviu 2 mil brasileiros de 18 anos ou mais, das classes A, B e C, com acesso à internet. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O índice foi elaborado a partir de 20 perguntas sobre comportamentos e resultados observáveis. As respostas foram convertidas em notas de 0 a 100 e distribuídas em cinco dimensões: gestão orçamentária; endividamento; reservas e resiliência; proteção e seguros; e planejamento de longo prazo.
Reservas são o principal ponto de atenção
A gestão orçamentária teve a maior pontuação, com 70,1 pontos. A dimensão avalia se a pessoa sabe quanto ganha e quanto gasta por mês. Já reservas e resiliência registraram 39,3 pontos, o menor resultado. Esse item considera a existência de dinheiro guardado para manter a pessoa caso perca a renda.
O planejamento de longo prazo ficou com 43,3 pontos, a segunda menor nota. A dimensão inclui metas para o futuro, investimentos para a aposentadoria e a organização do patrimônio destinado à família.
Para Hilton Notini, gestor de riscos e consultor da Planejar no projeto, os resultados mostram uma diferença entre o controle do orçamento e as demais áreas. “O planejamento aparece na primeira dimensão, de gestão orçamentária, mas quando se expande a análise para as demais dimensões, o resultado mostra uma diferença muito grande em termos de planejamento”, afirmou.
O desempenho também varia conforme a idade e não aumenta de forma linear. O grupo de 25 a 44 anos teve o menor resultado, enquanto os brasileiros com 61 anos ou mais apresentaram o melhor desempenho. Entre 18 e 24 anos, a prioridade costuma ser a entrada na primeira renda. Dos 25 aos 44 anos, aparecem filhos, financiamentos e carreira. Entre 45 e 60 anos, a aposentadoria ganha espaço; a partir dos 61 anos, o foco tende a ser o uso e a transmissão do patrimônio.
Ana Leoni, CEO da Planejar, afirmou que o índice pode ajudar pessoas, profissionais e instituições financeiras a identificar os temas que exigem mais atenção. A associação pretende fazer medições periódicas para permitir comparações.



