As decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos foram o principal destaque do mercado financeiro nesta semana. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou a taxa na mesma proporção, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
Mesmo com o corte brasileiro, a renda fixa continua no radar dos investidores. Tesouro Selic, CDBs e fundos DI aparecem como alternativas para a reserva de emergência e para perfis conservadores. Prefixados e Tesouro IPCA+ são considerados por quem aceita oscilações e pretende manter taxas elevadas.
Bolsa, FIIs e seguradoras
O El Niño também entrou nas avaliações do mercado. A BB Seguridade (BBSE3) é apontada como a seguradora mais exposta por sua atuação no seguro rural. A Caixa Seguridade (CXSE3) tem menor exposição a eventos agrícolas, enquanto a Porto (PSSA3) pode ser afetada por danos a automóveis e imóveis no Sul e no Sudeste. A expectativa é de manutenção das políticas de dividendos, embora os pagamentos possam cair se os lucros recuarem.
Gestores brasileiros e investidores estrangeiros ampliaram o uso de opções de Bolsa e dólar para se posicionar para as eleições. A negociação de opções do ETF EWZ também cresceu, mas o movimento pode mudar caso o cenário político, fiscal ou externo piore.
Entre os fundos imobiliários, apenas dois dos 33 FIIs de tijolo analisados superaram a inflação pela valorização das cotas nos últimos dez anos. Os dividendos, porém, representam parte importante do retorno, e o reinvestimento dos rendimentos pode ajudar a preservar o poder de compra.
Crédito, alta renda e tecnologia
O crédito privado pode enfrentar pressão a partir de 2027. Há R$ 752 bilhões em debêntures, CRIs e CRAs com vencimento até 2029, o que pode elevar a necessidade de refinanciamento, os prêmios de novas emissões e a pressão sobre os preços dos papéis existentes.
Na alta renda, a tributação mínima sobre rendas anuais acima de R$ 600 mil pode alterar a preferência por investimentos isentos, como LCIs. O imposto pago em aplicações tributadas poderá ser abatido do imposto mínimo, exigindo uma comparação mais ampla entre os produtos.
A Decade, criada por ex-executivos do Nubank, pretende usar inteligência artificial na gestão patrimonial de clientes com renda mensal a partir de R$ 15 mil ou R$ 250 mil para investir. A empresa começou com 30 funcionários e acompanha cerca de R$ 10 bilhões em patrimônio. A TAG, que administra R$ 18 bilhões, também planeja usar IA para atender clientes com patrimônio entre R$ 3 milhões e R$ 20 milhões.
Os ETFs avançaram em oferta e número de investidores no Brasil, mas ainda enfrentam barreiras regulatórias e tributárias. Representantes do setor defendem a liberação de ETFs de gestão ativa, fundos inversos e alavancados, além de mudanças que favoreçam produtos de crédito privado.



