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Economia

Opções ganham espaço nas apostas de gestores sobre Bolsa, dólar e eleições

Gestores brasileiros e investidores estrangeiros usam contratos de opções para limitar perdas e se posicionar diante das eleições e do câmbio.

Opções ganham espaço nas apostas de gestores sobre Bolsa, dólar e eleições

Contratos de opções passaram a ocupar mais espaço nas estratégias de gestores brasileiros e investidores estrangeiros diante das incertezas envolvendo as eleições presidenciais, o câmbio e os mercados financeiros. A Verde Asset ampliou posições em ações brasileiras por meio desses instrumentos, enquanto a B.Side mantém uma alocação tática em opções de compra de dólar. A BTG Asset também identifica oportunidades de usar opções no portfólio.

As opções dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço previamente definido. A call é usada quando há expectativa de alta; a put, quando a aposta é de queda. O comprador limita a perda ao prêmio pago, enquanto o vendedor recebe esse valor e assume a obrigação prevista no contrato.

Para Mario Machado, assessor de investimentos na InvestSmart XP, esses instrumentos permitem estabelecer um limite para a perda, escolher uma data específica para a exposição e montar ou desmontar posições com rapidez. A estratégia também se tornou mais barata, em parte porque a volatilidade dos ativos está menor que o usual para um período eleitoral.

Um levantamento da Quantum Finance apontou que, em agosto, primeiro mês da campanha eleitoral, a volatilidade do Ibovespa foi a menor para o mês entre as últimas quatro eleições presidenciais. No câmbio, o dólar oscilou entre R$ 5,10 e R$ 5,20 durante semanas.

Investidores estrangeiros ampliam operações com EWZ

Nos primeiros pregões de setembro, investidores estrangeiros aumentaram o volume de calls do EWZ, ETF negociado na Bolsa de Valores de Nova York que acompanha ações de grandes empresas brasileiras. Na última quarta-feira (9), havia 5,5 milhões de contratos de call contra 1,6 milhão de put, conforme dados levantados por Machado na câmara de compensação norte-americana.

O aumento não permite concluir sozinho qual estratégia foi adotada. Segundo Machado, o movimento pode indicar otimismo, proteção de posições existentes ou venda de prêmio para gerar renda. As compras de calls e de call spreads, estrutura que combina opções de compra com preços diferentes, foram associadas por operadores brasileiros a um maior otimismo com a disputa presidencial.

A Ágora Investimentos relacionou o avanço das operações ao período posterior às pesquisas que mostraram empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). “Quando o dinheiro estrangeiro escolhe se expressar por opções em vez de comprar ação à vista, ele está dizendo algo: quer alavancagem, quer prazo definido e quer uma tese — e a tese aqui tem nome e tem data”, afirmou a corretora em relatório.

O Ibovespa subiu mais de 10% nos últimos 30 dias, recuperando perdas registradas em maio e julho. A Ágora atribui parte do movimento ao fluxo de hedge: quando formadores de mercado vendem calls, precisam comprar o ativo de referência conforme o preço sobe, o que pode reforçar a valorização.

Estratégia pode se inverter

A própria Ágora alerta que as posições em opções podem ser revertidas rapidamente. Se o humor do mercado mudar, os investidores podem vender contratos para desmontar a proteção, invertendo o efeito de alta sobre a Bolsa.

Outro risco está no vencimento dos contratos em dezembro, ligado a um evento político de resultado incerto. Frustrações com a política fiscal ou com o cenário global podem reduzir rapidamente o valor das opções.

Para Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a estratégia é especialmente útil quando o potencial de movimentação é elevado, mas a convicção do investidor é baixa. Ela afirma que juros, câmbio, fluxo estrangeiro, commodities, risco fiscal e eleições podem provocar mudanças relevantes nos preços sem que o gestor precise assumir integralmente todos esses riscos.

A Ágora ressalta, porém, que o fluxo de opções não deve ser confundido com melhora dos fundamentos. Na avaliação da corretora, a alta recente é principalmente técnica e especulativa, sem relação direta com aumento das perspectivas de lucros corporativos, corte de juros ou avanços estruturais na área fiscal.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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