Luis Stuhlberger, fundador da Verde Asset, avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial poderia provocar forte alta da Bolsa e queda do dólar. Na análise do gestor, a mudança reduziria a percepção de risco fiscal e atrairia investimentos de brasileiros e estrangeiros.
A avaliação foi apresentada em debate promovido pela Monte Bravo nesta quinta-feira (24). Stuhlberger demonstrou, porém, ceticismo sobre a capacidade de Flávio de implementar uma agenda de reformas e corrigir os desequilíbrios econômicos.
Contas públicas e desaceleração
Sobre um eventual novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o gestor afirmou que o governo Lula 3 levou as contas públicas a um nível “absolutamente insustentável”, com dívida “perigosamente alta” e sem perspectiva de queda. Ele classificou o terceiro mandato de Lula como o pior do presidente do ponto de vista fiscal.
Stuhlberger também prevê uma desaceleração econômica, associada aos juros elevados, ao endividamento das famílias e ao aumento da inadimplência. Segundo ele, um novo governo Lula poderia começar com medidas de contenção de gastos, mas uma recessão poderia levar à adoção de estímulos por meio de crédito e garantias.
O gestor disse que o mercado de opções indica alta do dólar em caso de vitória de Lula. Para ele, a Bolsa pode reagir de forma mais intensa por ser um mercado pequeno e ter baixa posição de investidores. Em uma crise, também seria necessário considerar o risco de convertibilidade, com possível encarecimento da compra de moeda americana.
Cenário para Flávio Bolsonaro
Stuhlberger afirmou que uma vitória da oposição tenderia a gerar fluxo de investidores para a Bolsa brasileira. Ele citou Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, como integrante da equipe econômica de Flávio, mas avaliou que ela poderia assumir o cargo de CEO do Banco do Brasil, e não o Ministério da Fazenda.
Para o gestor, a simples saída de Lula do Planalto poderia aliviar o risco fiscal e estimular o mercado, mesmo sem grandes medidas do eventual novo governo. Ele também recomendou manter parte do patrimônio no exterior por preocupações institucionais.



