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Economia

PF vê possível vínculo de Toffoli com fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro

Relatório enviado ao STF aponta suspeita sobre a propriedade do fundo Arleen e menciona possível influência em voto sobre precatórios.

PF vê possível vínculo de Toffoli com fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro

A Polícia Federal levantou a hipótese de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja proprietário ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen. O fundo recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, conforme relatório encaminhado ao tribunal.

O documento também registra suspeitas sobre uma possível influência de Vorcaro em um voto de Toffoli em processo envolvendo precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos. O caso tratava de uma cobrança contra a União por prejuízos atribuídos à década de 1980.

Fundo transferido para as Ilhas Virgens Britânicas

O Arleen comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli. O ministro já declarou que fazia parte do quadro societário da companhia, ligada ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SC).

Segundo o relatório, o fundo pertencia inicialmente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e foi comprado pelo empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli, em fevereiro de 2025. No mês seguinte, o regulamento passou a permitir investimentos no exterior. Em dezembro, os ativos foram transferidos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.

A PF afirmou ter encontrado elementos que, analisados em conjunto, indicariam a possibilidade de Toffoli ter sido beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos. O documento também menciona o uso de pessoas interpostas e estruturas no exterior, além de movimentações envolvendo a holding.

O gabinete de Toffoli negou que ele tenha mantido recursos no exterior ou realizado operações nas Ilhas Virgens Britânicas.

Suspeita sobre processo de precatórios

O relatório aponta que uma decisão sobre a Alcídia afetaria a carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro registrada no balanço do Banco Master, que somava mais de R$ 10 bilhões. Antes do julgamento, Toffoli havia votado a favor da União em processo semelhante, embora tivesse histórico de decisões favoráveis às usinas em casos do tipo.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicariam a atuação do diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e de Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações. Para a PF, Kruschewsky aparentava ter acesso ao STF, inclusive para tentar retirar o processo da pauta.

No dia previsto para o julgamento, Kassio Nunes Marques pediu vista, e Toffoli registrou ausência justificada. Quando o caso foi retomado, a tese da Alcídia venceu por 3 votos a 2, com o voto de Toffoli definindo o resultado. O gabinete do ministro negou alteração de voto.

O relatório foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, porque Toffoli era relator do caso Master e ministros do tribunal dependem de autorização da própria corte para serem investigados. André Mendonça, apontado como possível novo relator do inquérito, afirmou que não recebeu o documento.

O gabinete de Toffoli declarou ainda que o relatório foi arquivado e que, em 12 de fevereiro de 2026, os ministros do STF tiveram conhecimento do conteúdo e das informações apresentadas pelo ministro. A nota afirmou que o tribunal decidiu não haver motivo para suspeição.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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