O aumento de 44,6% nas despesas discricionárias em julho reforça, para o UBS Global Wealth Management, a preocupação com o quadro fiscal brasileiro. No mesmo período, a receita líquida federal avançou 7,7% em termos reais na comparação anual e 5,9% no acumulado do ano até julho, enquanto as despesas totais cresceram 6,2%.
Para o banco, o fiscal deve continuar como o principal fator a determinar os prêmios de risco. A avaliação ocorre em um cenário que também combina uma eleição presidencial disputada e um ambiente internacional de juros estruturalmente mais altos. O UBS afirma que os mercados brasileiros estão “no cruzamento” desses três vetores.
Onde o banco vê proteção
Os títulos públicos indexados à inflação aparecem como uma das preferências do UBS para carteiras locais. A instituição afirma que esses papéis reúnem retorno real elevado e proteção caso a incerteza fiscal continue pressionando as expectativas.
A diversificação internacional é apontada como outro instrumento central. Na avaliação do banco, ativos globais podem aumentar a resiliência das carteiras diante dos riscos eleitoral e fiscal no Brasil.
Na classificação do UBS GWM, ações brasileiras, títulos nominais, papéis pós-fixados, fundos imobiliários e ativos alternativos permanecem neutros. Os hedge funds são considerados não atraentes.
Eleição e atividade econômica
O relatório do banco registra uma disputa apertada nas pesquisas de intenção de voto. Luís Inácio Lula da Silva mantém liderança estreita em três de quatro levantamentos de primeiro turno, com diferenças entre 0,6 e 2,4 pontos porcentuais. Nas simulações de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente na maioria das pesquisas recentes, geralmente dentro da margem de erro.
Na leitura do UBS, esse quadro pode elevar a volatilidade do real e da curva de juros.
A economia também perdeu ritmo. O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre, após alta de 1,1% no primeiro trimestre, e acumulou expansão de 2,0% em 12 meses. A taxa de desemprego caiu para 5,3%, menor nível para o período desde 2012, mas o banco identificou moderação no apoio da renda e sinais de piora na qualidade dos empregos.
O Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 13,75% ao ano. Para o UBS, novos cortes dependerão principalmente das expectativas de inflação, dos serviços, do câmbio e do prêmio fiscal, mais do que do desempenho do PIB.



