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Economia

Taxas de previdência privada podem reduzir saldo final em R$ 1,52 milhão

Estudo com 136 fundos mostra diferença de retorno entre produtos com taxas baixas e cobranças acima de 2% ao ano.

Taxas de previdência privada podem reduzir saldo final em R$ 1,52 milhão
Foto: Adobe Stock

Diferenças nas taxas de administração de fundos de previdência privada podem reduzir em R$ 1,52 milhão o saldo acumulado ao longo de 30 anos. O impacto foi identificado em uma simulação com patrimônio inicial de R$ 500 mil, aportes mensais de R$ 5 mil e retorno bruto real constante de 5% ao ano.

O cálculo, feito a preços atuais e sem considerar a tributação, estimou saldo de R$ 5,58 milhões para um fundo com taxa de 0,5% ao ano. Com cobrança de 2% ao ano, o valor cairia para R$ 4,06 milhões.

Diferenças de desempenho

O estudo foi elaborado por Victor Garrido, planejador financeiro com certificação CFP, e analisou 136 fundos classificados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) como Previdência Renda Fixa Duração Baixa. Foram considerados produtos com patrimônio médio mínimo de R$ 20 milhões, histórico mínimo de dados e taxa de administração média ponderada superior a zero.

Os dados vieram da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do histórico do CDI do Banco Central. Fundos com taxa nula, igual a zero ou histórico incompleto ficaram fora das análises principais.

Em 12 meses, os fundos com taxa entre 0,01% e 0,50% tiveram retorno mediano anualizado de 14,51%, ante 12,22% dos produtos que cobravam mais de 2%. Em três anos, os resultados foram de 12,73% e 10,49%. Já em cinco anos, a diferença chegou a aproximadamente 1,95 ponto percentual ao ano: 11,92% contra 9,97%.

A correlação entre a taxa de administração e o retorno acima ou abaixo do CDI foi de -0,84 em um horizonte de cinco anos. Como o indicador varia de -1 a +1, o resultado aponta associação entre custos maiores e pior desempenho relativo ao CDI.

Para evitar que uma única data influenciasse o resultado, os cálculos foram refeitos em todas as janelas mensais de 36 meses encerradas entre junho de 2024 e junho de 2026. Na faixa entre 0,01% e 0,50%, 67,6% das janelas ficaram abaixo do CDI. Entre 0,51% e 1%, foram 75,4%. Nas três faixas superiores a 1%, todas as janelas registraram desempenho inferior ao indicador.

Outros custos e escolha do fundo

Garrido afirma que o custo deve receber atenção na análise de um fundo, embora as taxas tenham caído nos últimos anos com a diversificação de opções, a entrada de mais gestoras e o aumento da concorrência. Ele também lembra que, há 20 anos, os investimentos em previdência eram concentrados em bancos tradicionais, que cobravam taxas acima de 2% ao ano.

Para Jeff Patzlaff, taxas maiores podem fazer sentido em fundos de gestão mais ativa, como multimercados e fundos de ações, desde que o resultado compense o custo. “Para fundos que apenas acompanham a taxa Selic, a taxa tem que ser mínima”, diz.

Na avaliação de Patzlaff, fundos de renda fixa atrelados ao CDI ou à Selic deveriam ter taxa zero ou de, no máximo, 0,3% ao ano. Para multimercados, a faixa indicada é entre 1% e 1,5% ao ano; para fundos de ações, entre 1,5% e 2% ao ano.

A taxa de carregamento, cobrada sobre aportes na entrada ou na saída, também deve ser verificada. Guilherme Cadonhotto, head de alocação da Grão Investimentos, afirma que esse custo praticamente não existe mais nos produtos novos que concentram boa parte das aplicações.

Já a taxa de performance incide quando o retorno, descontada a taxa de administração, supera o indicador de referência do fundo. A cobrança normalmente ocorre a cada semestre e segue a chamada linha d’água, que impede uma nova cobrança antes da recuperação de perdas anteriores. Mesmo assim, o investidor pode ter pago taxas em períodos específicos e terminar com resultado acumulado abaixo do indicador.

Antes de escolher um fundo, a recomendação é verificar o próprio perfil de investimento, o histórico do produto e da gestora, o desempenho em diferentes períodos e a comparação com o benchmark e fundos semelhantes. A lâmina reúne as principais características e as taxas cobradas.

Quem já investe pode avaliar a portabilidade para outro fundo. No regime regressivo do Imposto de Renda, o tempo de permanência dos recursos continua sendo contabilizado depois da transferência, sem reinício da contagem e sem recolhimento de IR. “O investidor pode realizar a portabilidade do fundo de previdência privada sem perder todos os benefícios acumulados ao longo dos anos de investimento”, explica Garrido.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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