Uma eventual união entre Yduqs e Afya poderia formar a maior plataforma de educação médica listada do Brasil, segundo avaliação do Itaú BBA. As empresas têm portfólios complementares na área, com mais de 6,5 mil vagas autorizadas.
O banco estima que uma redução de 20% nas despesas gerais e administrativas da Yduqs geraria economia anual de R$ 398 milhões. Após impostos, o ganho projetado seria de R$ 338 milhões.
A operação também poderia provocar aumento da carga tributária sobre os resultados da Yduqs por causa das regras do Pillar Two, conjunto de normas internacionais de tributação mínima global. O impacto negativo estimado é de cerca de R$ 80 milhões.
Mesmo com esse efeito, o Itaú BBA calcula que as sinergias de custos reduziriam o múltiplo projetado de preço sobre lucro da Yduqs para 3 a 4 vezes em 2027, ante 4 a 5 vezes caso a empresa permanecesse isolada.
Possíveis restrições concorrenciais
Os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Marquezini e Felipe Amancio apontam possíveis concentrações em mercados específicos. Os principais pontos de atenção seriam Teresina, Ji-Paraná e a região metropolitana do Rio de Janeiro, onde a participação conjunta poderia ser analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Caso sejam exigidas medidas para preservar a concorrência, uma alternativa seria vender ativos ou vagas em determinados mercados. O relatório ressalta, porém, que ainda não há informações suficientes para determinar se isso seria necessário.
Para 2026, o Itaú BBA projeta receita líquida de R$ 5,69 bilhões para a Yduqs, Ebitda ajustado de R$ 1,88 bilhão e lucro líquido ajustado de R$ 375 milhões. A pressão sobre as margens deve continuar neste ano, enquanto a melhora da inadimplência, a geração de caixa e a redução dos juros podem ajudar o resultado.
Para a Afya, a previsão é de receita de R$ 3,98 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,72 bilhão em 2026. O crescimento deve ser sustentado principalmente pela graduação em medicina, embora os investimentos e o ambiente mais competitivo pressionem a margem.
O banco manteve a classificação positiva para a Afya e os preços-alvo de R$ 16 para YDUQS e US$ 18 para Afya, com referência para o fim de 2027. Esses valores correspondem a potenciais de alta de 50,9% e 32,4% ante o último fechamento.


