RIO — O desabamento parcial de um casarão no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio, expôs as condições de imóveis históricos abandonados na cidade. Uma mãe e a filha de 2 anos ficaram feridas ao passar pelo local no dia 19 de setembro. A criança segue internada.
O casarão da Rua Cosme Velho estava abandonado havia anos e já funcionou como padaria. A construção vizinha também foi atingida e precisou ser interditada. O episódio transformou em emergência uma preocupação que os moradores dizem existir há anos.
A Associação de Moradores Viva Cosme Velho alerta a prefeitura desde 2019 sobre o abandono e o risco de acidentes. A engenheira civil e integrante da entidade Luciana Falcão disse que os moradores defendem a restauração dos imóveis que ainda estão de pé e a demolição do que restou das construções que desabaram.
“A gente quer saber se vão fazer vistoria ou demolição de emergência pra não acontecer o que aconteceu aqui no outro casarão”, afirmou Luciana.
Imóveis históricos em deterioração
Um casarão do século 19, também na Rua Cosme Velho, foi durante décadas ponto de encontro de artistas e intelectuais. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o imóvel tem infiltrações, vidros quebrados, esquadrias danificadas e partes do revestimento se desprendendo da fachada.
O Solar dos Abacaxis, considerado um dos principais edifícios neoclássicos da cidade, também apresenta problemas. O nome vem dos ornamentos de ferro em formato de abacaxi instalados no portão. Na parte interna, janelas e paredes estão destruídas.
A Prefeitura do Rio decidiu assumir o controle de alguns casarões por meio de desapropriações, com a intenção de levar os imóveis a leilão. O município também avalia desapropriar outros imóveis históricos em situação de conservação considerada preocupante.
No Centro, um levantamento da UFRJ apontou que dezenas de casarões e prédios antigos permanecem abandonados. Entre eles está o Palacete Imperial, na Praça da República.
A preservação do patrimônio histórico é prevista por uma legislação em vigor há mais de quatro décadas. Em 1983, um decreto criou o Corredor Cultural para preservar e revitalizar áreas do Centro. Para a arquiteta e urbanista da UFRJ Andrea Borde, projetos que deem novo uso aos edifícios podem manter esses espaços integrados à vida da cidade.



