SÃO PAULO — Robson Pereira de Souza, de 38 anos, responsável pela obra de um prédio que desabou na Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte de São Paulo, foi morto a tiros na noite de domingo (27), em um bar no bairro Jardim Elísio. A Secretaria da Segurança Pública informou que ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Vila Nova Cachoeirinha, mas não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Civil investiga o homicídio e realiza diligências para identificar o autor e esclarecer a motivação. O caso foi registrado no 72º Distrito Policial, em Vila Penteado.
De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram chamados pelo Centro de Operações da Polícia Militar para atender a uma ocorrência de disparo de arma de fogo. Robson foi encontrado caído em via pública, com ferimentos na região do tórax.
A companheira dele, Daniela Dayana de Oliveira, relatou à polícia que estava sentada com um casal de amigos em uma mesa na calçada, em frente ao estabelecimento. Ela afirmou que foi ao banheiro e, ao retornar, viu um homem armado atirando contra Robson. Segundo o relato, ele tentou correr para a rua, mas caiu.
O atirador usava capacete, tinha aproximadamente 1,70 metro de altura e fugiu sozinho em uma motocicleta de cor escura. A perícia encontrou manchas de sangue e uma cápsula de arma de fogo no ponto onde Robson caiu. O boletim também registra a existência de câmeras de monitoramento na Rua Acioli, nos números 33, 46 e 450. A motocicleta teria sido estacionada na esquina antes dos disparos, e o autor deixou o local pela mesma rua.
Obra embargada
O prédio que desabou em 13 de fevereiro de 2025 tinha autorização municipal para três andares de apartamentos, mas uma imagem registrada antes da queda mostrava pelo menos sete andares erguidos. Duas pessoas ficaram feridas no desabamento.
A obra estava embargada desde 24 de janeiro por causa da construção de pavimentos acima do permitido, segundo a Prefeitura de São Paulo. Na época, a administração municipal informou que havia aplicado duas multas, ao proprietário e ao responsável técnico, que somavam R$ 3,1 milhões.
Registros municipais indicam que Robson obteve o Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova em outubro de 2023. O empreendimento recebeu o nome provisório de Residencial Recanto. A autorização previa 30 apartamentos, com áreas de 24 a 46 metros quadrados, distribuídos no térreo e em mais dois andares.
O engenheiro responsável era Antonio Ricardo Ribeiro Júnior, com registro ativo e regularizado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo. O Crea-SP informou que apurava a responsabilidade técnica pela edificação e havia aberto um processo administrativo preliminar para verificar possível infração à legislação profissional.
As causas do desabamento ainda estavam sob investigação, sem confirmação de relação direta entre a construção acima do previsto e a queda. Parte do terreno ficava em uma Área de Preservação Permanente, conforme laudos técnicos anexados ao processo do alvará.



