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Organograma apreendido em SP liga nome Mário à produtora de filme sobre Bolsonaro

Documento cita a Go Up e empresas ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama em investigação sobre verbas públicas.

Organograma apreendido em SP liga nome Mário à produtora de filme sobre Bolsonaro
Foto: Reprodução

Um organograma manuscrito apreendido pela Polícia Civil de São Paulo cita o nome “Mário” ao lado das palavras “sócio” e “Go Up”, produtora cinematográfica nos Estados Unidos. O documento foi incluído no inquérito que investiga suspeitas de fraude em um contrato do Instituto Conhecer Brasil (ICB) com a Prefeitura de São Paulo.

A Go Up é ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do ICB e sócia da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O organograma também relaciona o nome “Mário” a uma terceirizada da Go Up no Brasil, identificada no material como SCP.

Documento e investigação

O inquérito não identifica quem produziu o organograma. O papel traz ainda anotações relacionadas a outros três CNPJs controlados por Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil, a Go7 e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Inicialmente, a Polícia Civil informou que o documento havia sido apreendido no “local 2”, um dos endereços ligados à empresária na região da Brasilândia, Zona Norte de São Paulo. Um boletim de ocorrência anexado ao inquérito, porém, registra que o item foi apreendido e lacrado sob o número 0021865, associado a endereços do empresário André Feldman e da empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda.

O material tramitou na Justiça de São Paulo e foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. No domingo (13), o ministro Flávio Dino retirou o sigilo de documentos e reuniu sob sua relatoria inquéritos que apuram possível desvio e ocultação de recursos públicos.

Karina Ferreira da Gama prestou serviços de campanha para Mário Frias em 2022, quando ele foi eleito deputado federal por São Paulo. A defesa da empresária não respondeu especificamente sobre o organograma. Em relação à operação da Polícia Federal, o advogado Ricardo Sayeg afirmou que foi apresentada uma reclamação constitucional ao STF após a ação de quinta-feira (10). A defesa disse também que Karina colaborava espontaneamente com a investigação e entregou mais de 20 mil páginas de documentos na última sexta-feira.

Suspeita sobre repasses

A Polícia Federal suspeita que pelo menos R$ 750 mil em verbas federais de emendas parlamentares destinadas ao ICB tenham sido transferidos para financiar a Go Up Entertainment Ltda. O relatório aponta que o esquema investigado envolve R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao instituto.

Em um convênio de R$ 1 milhão, o ICB contratou a Dinâmica Editora, por R$ 400 mil, e o Instituto Super Poder Educacional, por R$ 300 mil. As empresas são ligadas ao grupo de Heric Fabiano Dias e teriam recebido aproximadamente R$ 700 mil para fornecer kits pedagógicos. Depois, a NTT Brasil Ltda., também administrada por Heric Dias, transferiu R$ 750.000,00 para a conta da Go Up Entertainment.

Para a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), há indícios de que os contratos foram simulados com pesquisas de preços fraudadas. A suspeita é que os recursos tenham sido desviados e depois reinseridos na produtora para custear o filme.

As filmagens ocorreram em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. No período, a Go Up registrou movimentação financeira de R$ 19.033.071,00. Mário Frias negou irregularidades, afirmou que colaborará com as investigações e entregará os documentos necessários. Ele disse acreditar que o caso será arquivado.

Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e candidato à Presidência, afirma que não foram usados recursos públicos no filme. Ele não é investigado no inquérito.

Operação

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Flávio Dino também determinou medidas cautelares contra Mário Frias, proibindo-o de deixar o país e de manter contato com os demais investigados.

O filme passou a ser alvo de investigações após informações sobre um possível financiamento de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Ele está preso em Brasília.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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