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PF mira empresas ligadas a gabinete de Mário Frias em operação sobre filme de Bolsonaro

Empresas receberam R$ 154 mil e R$ 115,6 mil do gabinete do deputado, segundo dados da Câmara dos Deputados.

PF mira empresas ligadas a gabinete de Mário Frias em operação sobre filme de Bolsonaro
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (10) mandados de busca e apreensão contra empresas que prestaram serviços ao gabinete do deputado federal Mário Frias (PL), em Brasília. A ação investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e alcança 49 empresas e pessoas físicas.

Entre os alvos estão André Feldman, Wemerson Marinho da Gama e Débora Feldman. Karina Ferreira da Gama, produtora do filme, também é investigada. Mário Frias atua como produtor-executivo da produção, enquanto Karina prestou serviços de campanha para ele durante a eleição de 2022.

Segundo o portal da Transparência da Câmara dos Deputados, a Complexsys Soluções Integradas Ltda., de André Feldman, recebeu R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026, por meio da cota parlamentar. A GTrend, de Wemerson Marinho da Gama, recebeu R$ 115,6 mil entre abril de 2023 e agosto de 2024.

Relação com contrato de wi-fi em São Paulo

A Complexsys emitiu notas de prestação de serviços de auditoria dos pontos de wi-fi para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que tem contrato com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., da empresária Débora Feldman, também emitiu notas fiscais para o instituto dentro do contrato com a Prefeitura de São Paulo.

Wemerson Marinho da Gama era secretário-geral do ICB quando o contrato foi assinado, em junho de 2024. O acordo prevê a instalação de pontos de wi-fi gratuitos na periferia da capital paulista e tem valor de R$ 108 milhões.

O contrato previa 5 mil pontos instalados até junho de 2025. Até a presente data, 3.200 haviam sido instalados. Ao menos três aditivos alteraram o prazo de entrega, e o Ministério Público de São Paulo apura se houve concorrência na contratação do instituto. A entidade também é investigada pela Polícia Civil.

Ricardo Nunes negou irregularidades no contrato e afirmou que uma apuração foi aberta pela Controladoria-Geral do Município logo no início. “Até o momento nenhuma irregularidade no contrato com a prefeitura”, disse o prefeito.

Investigação sobre emendas parlamentares

A operação, batizada de Make Up, foi deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, sem ordens de prisão. A empresa Go Up, produtora do filme, não está entre os alvos dos mandados.

A investigação, sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Conforme a PF, agentes públicos e privados teriam direcionado dinheiro repassado a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram realizados.

Uma auditoria da CGU apontou suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades ligadas a Karina, com gastos não comprovados. O deputado negou que os recursos tenham sido destinados a qualquer produção cinematográfica.

A operação investiga possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraudes e crimes licitatórios. A PF informou ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao caso e disse que as tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano.

Dois inquéritos no Supremo

Há duas investigações relacionadas ao filme sob supervisão de ministros do STF. O inquérito relatado por Flávio Dino trata do possível uso irregular de emendas parlamentares e de dinheiro público repassado a entidades e empresas ligadas à produtora.

Outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, examina transferências feitas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), além do caminho percorrido pelos recursos.

Em maio, mensagens e um áudio indicaram que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro de Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação aponta que ao menos R$ 61 milhões foram pagos em 2025. Os recursos teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

Na quarta (9), André Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele é dono da Entre Investimentos, empresa que fez repasses para o filme por ordem de Vorcaro.

Em colaboração assinada com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto, Mineiro afirmou que gerava dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. Segundo ele, os valores eram entregues em malas e destinados a pagamentos de propina.

Mineiro também relatou sete repasses, identificados como subscrições de cotas, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. As transações ocorreram de janeiro a setembro de 2025 e somaram US$ 12,333 milhões, equivalentes a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025. Um pagamento de US$ 1,666 milhão feito em setembro contrariaria a afirmação de que o último repasse havia ocorrido em maio de 2025.

A PF apura se todo o dinheiro foi usado no filme, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos teve outros destinos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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