O procurador do estado Marcelo Lopes da Silva foi preso novamente nesta quarta-feira durante uma nova fase da operação Ouroboros. Ele é ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM) e é investigado por suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo contratos do instituto.
A prisão foi realizada por promotores do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), do Ministério Público. A medida teve como base conversas obtidas após a análise, autorizada pela Justiça, de dados dos telefones de Marcelo, do ex-presidente do IRM Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, e do ex-diretor do instituto Franquis Dias Nepomuceno.
Segundo o Ministério Público, a investigação apontou que Thays Pinho Carneiro da Silva, então namorada de Marcelo, abriu uma microempresa em maio de 2024 para viabilizar pagamentos ao procurador. A empresa teria sido contratada pela Engeconsult Consultores Técnicos Ltda para prestar serviços administrativos em março de 2024, dois meses antes de sua abertura.
Ainda conforme o MP, Marcelo teria recebido R$ 30 mil em seis parcelas de R$ 5 mil, repassadas à microempresa individual de Thays. O órgão também afirma que o esquema incluía contratos irregulares que somam R$ 86 milhões.
Contratos e saques
Onze pessoas foram denunciadas à Justiça em 9 de julho por organização criminosa, corrupção passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados está Didê. Na ocasião, Marcelo e outros cinco acusados foram presos. Treze dias depois, ele deixou a cadeia por decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.
A investigação aponta que, a partir de 2022, o IRM contratou a Engeconsult e a R Peotta Engenharia e Consultoria em licitações consideradas fraudulentas e direcionadas. Depois, as empresas teriam firmado subcontratos fictícios com o Brazilian Institute of Organic — Instituto Bio para repassar parte dos valores recebidos.
Em 2023, a Engeconsult recebeu um acréscimo de R$ 58 milhões em contratos. Também segundo as investigações, Caroline Soares Barros, chamada de “Mulher da Mala” na denúncia, foi abordada em 9 de janeiro ao tentar sacar R$ 500 mil em uma agência bancária de Teresópolis. Ela teria feito 13 saques, totalizando pouco mais de R$ 3 milhões, escoltada por funcionários da Rioforte.



