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CNJ apura atuação de desembargador do TRF-1 em processos ligados ao Banco Master

Newton Ramos não foi afastado e seguirá no cargo enquanto o CNJ analisa materiais sobre decisões envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro.

CNJ apura atuação de desembargador do TRF-1 em processos ligados ao Banco Master
Foto: Reprodução

O Conselho Nacional de Justiça determinou nesta quinta-feira (24) diligências contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A apuração corre sob sigilo e examina a atuação do magistrado em processos de interesse do Banco Master, incluindo casos relacionados ao setor sucroalcooleiro.

A medida foi autorizada pelo corregedor-nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, dentro de um procedimento correicional extraordinário. Ramos não foi afastado e continua exercendo as funções no tribunal, com acesso ao sistema eletrônico de processos. A equipe do CNJ copiou um HD com materiais do gabinete.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, identificam Newton Ramos e a advogada Camilla Ramos, sua mulher, como integrantes da chamada “Turma KN”. A referência seria às iniciais do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.

O escritório do qual Camilla Ramos é sócia firmou um contrato de R$ 427 milhões com o Banco Master. O acordo previa honorários líquidos de êxito de 5% sobre valores recebidos em 12 processos de precatórios, estimados em R$ 8,5 bilhões. Em um desses processos, Ramos deu ao menos dois votos favoráveis aos interesses do banco, conforme as informações reunidas na apuração.

O material analisado pelo CNJ foi encaminhado pela Polícia Federal ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do Caso Master, em julho. Os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes pediram acesso à íntegra dos arquivos após suspeitas de que a análise teria se concentrado em menções ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça nega ter direcionado a investigação.

Ramos foi indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. Antes, havia sido juiz auxiliar de Nunes Marques quando o ministro ocupava a vice-presidência do tribunal de segunda instância.

Mensagens também registram tratativas de Newton Ramos com intermediários de Vorcaro para hospedagens de Kassio Nunes Marques. Em um diálogo, uma assessora repassa pedido de reserva no Fasano, e o banqueiro responde que a despesa poderia ser colocada em sua conta.

Kassio confirmou que viajou, em novembro de 2025, em um avião pago por Camilla Ramos para uma festa de aniversário dela em Maceió. O ministro afirmou que a relação tinha “caráter pessoal”, sem contrapartidas por sua atuação no Supremo. Outros diálogos indicam que Vorcaro custeou uma mansão no Rio de Janeiro para o ministro durante o carnaval de 2025. A assessoria do TRF-1 não se manifestou.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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