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Política

Empresários de armas doam R$ 1,46 milhão e lançam candidatos em 2026

Levantamento com dados do TSE identifica doações a 96 candidatos e 28 empresários do setor concorrendo a cargos eletivos.

Empresários de armas doam R$ 1,46 milhão e lançam candidatos em 2026

Empresários de clubes de tiro, fabricantes, comerciantes e importadores de armas e munições destinaram R$ 1,46 milhão às eleições de 2026. O dinheiro foi doado diretamente a candidatos ou a diretórios partidários, conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consultados até 30 de setembro de 2026.

Ao todo, 96 candidatos receberam R$ 1,2 milhão de empresários ligados ao setor. Diretórios de sete partidos registraram outros R$ 261 mil, sendo R$ 176 mil em doações diretas de empresários. Os valores de 2026 ainda são parciais, porque a eleição está em curso.

Também foram identificados 28 sócios e administradores que lançaram candidaturas próprias. Metade deles disputa pelo PL. A maior parte concorre a deputado estadual, com 17 registros. Há ainda candidatos a deputado federal, vice-governador e 1º suplente de senador.

Partidos e candidatos financiados

Os candidatos filiados ao PL receberam R$ 420 mil. Na sequência aparecem Republicanos, com R$ 153 mil, e Novo, com R$ 133 mil. Juntos, os três partidos concentram quase 60% dos R$ 1,2 milhão destinados a candidaturas.

Entre os beneficiados estão os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Kim Kataguiri (Missão-SP) e Julia Zanatta (PL-SC), que concorrem à reeleição. Zanatta recebeu R$ 5 mil. Ferreira e Kataguiri receberam menos de R$ 400 cada. Os três defenderam ou beneficiaram o setor durante os mandatos.

O total é menor que o registrado em 2022, quando 118 empresários doaram R$ 2,69 milhões a 126 candidatos e R$ 89 mil a partidos políticos. Desde 2015, empresas não podem fazer doações eleitorais. Os recursos passaram a ser transferidos por pessoas físicas ligadas aos negócios.

A doação é permitida por lei e não representa, por si só, irregularidade. Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, o apoio financeiro ajuda a manter uma agenda relacionada à compra de armas, à redução de tributos e ao funcionamento dos clubes de tiro. “Apoiar candidatos alinhados garante uma bancada ativa e comprometida com a ampliação contínua das garantias econômicas e operacionais do setor”, afirmou.

Felippe Angeli, coordenador de advocacy do Justa, avaliou que a proibição das doações empresariais mudou a forma de participação do mercado. “Eles encaram essas doações como investimento estratégico”, disse, referindo-se a donos, executivos e empresários que continuam contribuindo como pessoas físicas.

Doações e atuação parlamentar

Julia Zanatta destinou, em 2025, uma emenda parlamentar de R$ 800 mil, posteriormente ampliada para cerca de R$ 999 mil, à prefeitura de São José, em Santa Catarina. O recurso foi usado para contratar um clube de tiro ligado a um aliado para treinamentos da Guarda Municipal.

Em novembro de 2025, uma auditoria do Tribunal de Contas de Santa Catarina identificou indícios de direcionamento na contratação. A prefeitura negou irregularidades e disse ter seguido a legislação. Zanatta afirmou que a destinação cumpriu as exigências de transparência e rastreabilidade e que manteria o direcionamento de verbas para treinamentos, armamentos, fuzis e munições.

Entre os doadores de Zanatta está Filipe Silveira Pavei, sócio-administrador da Pavei Brasil e de outras empresas de comércio e importação de armamentos. Ele doou R$ 10 mil à deputada em 2022 e R$ 5 mil na campanha deste ano.

Outro caso envolve Wagner Higa de Freitas, sócio de uma empresa de comércio de armas e presidente da Federação de Tiro do Mato Grosso do Sul. A entidade recebeu uma emenda de R$ 3 milhões do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), anunciada em dezembro de 2025. Freitas concorre a deputado estadual pelo PL-MS e recebeu doações de cinco empresários do setor.

Pollon, candidato à reeleição, é fundador do PROARMAS e defende propostas relacionadas a armas, munições e clubes de tiro. Entre os projetos apresentados por ele estão a isenção de tributos para determinados compradores, o programa público Minha Primeira Arma e o reconhecimento dos clubes como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.

Maiores doadores

Cinco doadores concentram 55,6% dos recursos destinados a candidatos em 2026. Bernardo Simões Birmann, integrante do conselho de administração da Taurus e administrador da AMTT CBC Comércio Varejista Ltda, doou R$ 150 mil a Thiago Virgilio Teixeira de Souza (Republicanos-RJ) e R$ 50 mil ao deputado federal Roberto Luiz (PL-RJ), candidato à reeleição.

Ronaldo Baumgarten Neto, presidente do Tabajara Tênis Clube, que possui um estande de tiro, doou R$ 100 mil à candidatura de João Paulo Kleinübing (PL-SC) à Câmara dos Deputados.

Maycon Henrique Tombini, identificado como sócio da Liga Nacional de Rifle, disputa uma vaga de deputado federal pelo PL de Goiás e aplicou R$ 184,5 mil na própria campanha. Em 2022, ele havia doado R$ 66,9 mil ao Major Vitor Hugo (PL-GO).

José Paulo Cairoli, conselheiro da Taurus e ex-vice-governador do Rio Grande do Sul, concorre ao cargo de 1º suplente ao Senado pelo MDB.

O levantamento reuniu registros de clubes de tiro e empresas de armas, munições, armas de pressão, produtos menos letais e acessórios no cadastro do Exército, cruzando-os com dados da Receita Federal e do TSE. A base da Receita foi obtida em agosto de 2026, e os dados eleitorais foram extraídos em 30 de setembro de 2026.

O vínculo cadastral e a movimentação declarada não comprovam, sozinhos, que uma pessoa exercia a mesma função em 2022, nem indicam motivação comum entre os doadores. Diferenças de grafia, empresas sem pessoa física identificada e repetições de vínculos foram consideradas nas limitações do levantamento.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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