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Política

Polícias concentram maior parte dos gastos estaduais em segurança pública em 2025

Levantamento do JUSTA mostra que policiamento recebeu R$ 60,7 bilhões, enquanto políticas para egressos ficaram com R$ 19 milhões.

Polícias concentram maior parte dos gastos estaduais em segurança pública em 2025
Foto: Divulgação/Polícia Militar

Os estados brasileiros destinaram R$ 103,5 bilhões às polícias em 2025, segundo levantamento do JUSTA. A maior parcela, R$ 60,7 bilhões, foi para as Polícias Militares, responsáveis pelo policiamento ostensivo. O valor equivale a 58,6% do total.

As Polícias Civis receberam R$ 22,2 bilhões, ou 21,5% dos recursos, para atividades de investigação. Já as Polícias Técnico-Científicas ficaram com R$ 2,8 bilhões, correspondentes a 2,7%, para perícias e produção de provas.

O estudo analisou os orçamentos de 26 unidades da federação em 2025. O Acre foi o único estado que não forneceu dados.

Diferença entre entrada e saída do sistema

O levantamento também comparou os gastos com as polícias, o sistema prisional e as políticas destinadas a pessoas que deixam as prisões. Foram R$ 22,3 bilhões para o sistema prisional e R$ 19 milhões para ações exclusivas voltadas aos egressos.

Na proporção calculada pelo JUSTA, cada R$ 5.423 destinados às polícias correspondem a R$ 1.169 para o sistema prisional e a R$ 1 para políticas de apoio a quem deixou o cárcere. Em média, essas ações representaram 0,001% dos gastos estaduais.

A diferença aumentou em relação a 2023. Naquele ano, eram destinados R$ 4,8 mil às polícias para cada R$ 1 aplicado em políticas para egressos. Em 2025, a relação chegou a R$ 5,4 mil, alta de 16%.

Entre as 26 unidades federativas avaliadas, 19, ou 72%, não tiveram investimentos exclusivos para egressos em 2025. São Paulo concentrou a maior parcela dos recursos identificados, com R$ 13,3 milhões, seguido pelo Ceará, com R$ 3,8 milhões. O Paraná aparece entre os estados que destinaram R$ 1,5 bilhão ao sistema prisional.

Para Luciana Zaffalon, diretora-executiva do JUSTA, o aumento do policiamento ostensivo sem avanço equivalente na investigação pode ampliar as prisões sem fortalecer o esclarecimento de crimes. “É uma lógica que ajuda a sustentar um modelo de encarceramento em massa”, afirmou.

Estados com maior gasto policial

Minas Gerais liderou a proporção do orçamento destinada às polícias, com 10,6%, o equivalente a R$ 12,4 bilhões. O montante cresceu 42% em relação ao ano anterior, quando o estado havia aplicado R$ 8,4 bilhões.

No Rio de Janeiro, as polícias receberam 10,3% do orçamento, ou R$ 11,1 bilhões. O valor superou os R$ 10,8 bilhões destinados à Educação no estado.

Em valores absolutos, São Paulo ficou na primeira posição, com R$ 18,4 bilhões. Na sequência apareceram Minas Gerais, com R$ 12,4 bilhões; Rio de Janeiro, com R$ 11,1 bilhões; Bahia, com R$ 6,9 bilhões; e Rio Grande do Sul, com R$ 4,9 bilhões.

Também houve aumento dos recursos policiais em Alagoas, de 21%; no Rio Grande do Norte, de 18%; e em Rondônia, de 15%.

Segundo Taciana Santos, coordenadora de pesquisas do JUSTA, a concentração de recursos nas polícias não garante, por si só, mais segurança. “Esse crescimento de gasto com polícias está associado ao crescimento da bancada da bala e do populismo penal na política”, disse.

Sistema prisional e população negra

Do total de R$ 22,3 bilhões gastos pelos estados com o sistema prisional, cerca de R$ 13,7 bilhões foram associados ao encarceramento de pessoas negras. O valor corresponde a R$ 6 de cada R$ 10 aplicados na área, em estimativa feita pelo JUSTA a partir de dados do Sisdepen de dezembro de 2025.

São Paulo teve o maior gasto prisional, com R$ 5,3 bilhões. Santa Catarina destinou R$ 1,6 bilhão; Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul aplicaram R$ 1,5 bilhão cada; e Minas Gerais, R$ 1,2 bilhão.

Em Mato Grosso, o estudo apontou o contingenciamento de R$ 98 milhões previstos para a alimentação de pessoas privadas de liberdade. Na saúde prisional, R$ 4 milhões do orçamento aprovado não foram aplicados.

As políticas para egressos receberam R$ 19 milhões em 2025, ante R$ 18 milhões no ano anterior. Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram investimentos exclusivos pela primeira vez, com R$ 414 mil e R$ 177 mil, respectivamente. Alagoas e Tocantins deixaram de investir.

O ano de 2025 também marcou o início da execução do Plano Pena Justa, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por determinação do Supremo Tribunal Federal. Apesar da iniciativa, o levantamento não identificou mudança relevante no volume nacional destinado às políticas para egressos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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