O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes acusou o colega André Mendonça de tentar obter vantagem política ao divulgar informações relacionadas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A crítica foi publicada por Gilmar no X na manhã desta quinta-feira, 17 de setembro de 2026.
Gilmar defendeu Gonet após o levantamento do sigilo de conversas mantidas pelo procurador-geral com o banqueiro Daniel Vorcaro. Para o ministro, os diálogos não apresentavam conteúdo ilícito e atingiram injustamente a reputação de Gonet. Ele também questionou a decisão de tornar as conversas públicas depois de o próprio relator, segundo Gilmar, reconhecer no plenário a lisura da conduta do procurador-geral.
Na avaliação do ministro, um vídeo publicado por Mendonça nas redes sociais, no qual o colega agradeceu o apoio recebido, indicaria “a intenção de lucrar politicamente com o episódio”. Gilmar também afirmou que a divulgação ocorreu às vésperas do 7 de Setembro com o objetivo de produzir ganhos políticos, prejudicar reputações e pressionar opositores.
O episódio prolonga um confronto iniciado durante uma sessão extraordinária do STF na terça-feira, 15. Na ocasião, Gilmar acusou Mendonça de agir com “sentimento policialesco” e classificou como leviandade as suspeitas relacionadas a Gonet. A discussão terminou em bate-boca no plenário.
Conversas e manifestação de Gonet
Os diálogos entre Gonet e Vorcaro incluíram mensagens e telefonemas intermediados pelo advogado Ciro Soares. Em uma das conversas, o procurador-geral afirmou sentir saudades e chamou o proprietário do banco Master de “máquina”, depois de aceitar um convite para degustação de uísque em Londres e pedir que seu filho fosse incluído no evento.
Na sessão de terça-feira, Gonet negou ter relação com o banqueiro e declarou que o contato entre os dois foi breve e sem relevância. No dia 16, durante manifestação perante o Conselho Superior do Ministério Público Federal, ele disse que nunca deixou de acompanhar as investigações sobre suspeitas de fraude no Master envolvendo Vorcaro. Também afirmou que ninguém lhe pediu para proteger o banqueiro.
Uma mensagem atribuída a Vorcaro e supostamente enviada ao ministro Alexandre de Moraes menciona um pedido a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para conter a Operação Compliance Zero.
O Conselho deverá analisar o caso no próximo dia 25. Os conselheiros poderão entender que existem indícios de crime e indicar um subprocurador-geral da República para investigar Gonet ou concluir que não há evidências de crime comum e arquivar o processo.
Comparação com a Lava Jato
Na mesma publicação, Gilmar comparou a atuação de Mendonça à de Deltan Dallagnol e Sérgio Moro na Lava Jato. Dallagnol é citado como ex-procurador da operação, candidato ao Senado pelo Paraná e integrante do Novo. Moro é apresentado como senador do PL, ex-juiz da Lava Jato e candidato ao governo do Paraná.
Gilmar afirmou que os dois transformaram vazamentos seletivos em método para influenciar a opinião pública antes de uma ação penal e obter dividendos políticos. O ministro já havia feito críticas à operação, embora tenha apoiado a iniciativa em seu início.



