O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, criticou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Para Guimarães, a medida interfere em uma atribuição que não caberia ao ministro e pode ter impacto eleitoral ao desgastar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Ninguém está acima da lei”, afirmou Guimarães nesta terça-feira, 8. Em seguida, classificou a decisão como “descabida” e disse que o Supremo Tribunal Federal precisa tomar providências.
Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar. A apuração deve examinar os “graves fatos identificados” na produção de relatórios de inteligência.
Além de Andrei Rodrigues, o ministro ordenou o afastamento do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal referendou as duas medidas em menos de dez minutos.
Votação no Supremo
O decano da Corte, Gilmar Mendes, pediu vista após 11 segundos de apreciação no plenário virtual. Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam os votos e acompanharam integralmente André Mendonça.
A Advocacia-Geral da União vai recorrer da decisão ainda nesta terça-feira. O órgão deve argumentar que a ordem individual de Mendonça viola a competência privativa do presidente da República para nomear o diretor-geral da Polícia Federal.
Guimarães afirmou que a investigação de eventuais indícios de delitos é correta, mas questionou o afastamento dos integrantes da Polícia Federal e cobrou uma reação do Supremo Tribunal Federal.



