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Política

Kinea monta carteira para eleições com defesa e potencial de recuperação

Gestora recomenda combinar ações resistentes a juros altos com papéis que podem ganhar valor em caso de ajuste fiscal.

Kinea monta carteira para eleições com defesa e potencial de recuperação
Foto: Júlia Pereira/Estadão

A Kinea Investimentos recomenda que o investidor não espere o resultado das eleições para decidir onde aplicar. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (17), a gestora apresentou uma seleção de ações que combina empresas mais resistentes ao cenário de juros altos com papéis que podem se valorizar caso o próximo governo avance no controle das contas públicas.

A avaliação é que os preços dos ativos começam a incorporar as expectativas eleitorais antes da divulgação do resultado. Por isso, a estratégia não busca apostar em um vencedor, mas montar uma carteira que possa fazer sentido tanto com uma melhora fiscal quanto com a continuidade da pressão sobre as contas públicas.

“A tentação natural é esperar a definição para então montar a carteira, mas essa é a única alternativa que sabemos estar errada”, afirma a Kinea.

Dois cenários para a economia

No cenário de ajuste fiscal, a gestora prevê que o mercado voltaria a confiar na trajetória da dívida. Com isso, o juro real de longo prazo poderia se acomodar, reduzindo a taxa de desconto das empresas listadas na Bolsa. A expectativa inclui crescimento dos lucros e retomada do crédito, com impacto sobre o consumo.

Se não houver ajuste, os gastos do governo continuariam sem uma âncora, enquanto persistiriam as dúvidas sobre a dívida. Nesse caso, a taxa do Tesouro IPCA+ de vencimento longo poderia avançar para 9% ao ano. A Kinea prevê compressão dos múltiplos das empresas, continuidade do impacto da despesa financeira sobre companhias endividadas e crédito restrito.

Para equilibrar os dois cenários, a gestora prioriza empresas com geração de caixa robusta e crescimento previsível dos lucros. Também busca setores que foram penalizados pelo ciclo prolongado de juros altos e que, com preços comprimidos, poderiam se recuperar diante de uma agenda de ajuste fiscal.

Bolsa e setores escolhidos

A Kinea afirma que o Ibovespa negocia perto de 8 vezes os lucros projetados, abaixo da média histórica próxima de 10 vezes. A gestora ressalva, porém, que a Bolsa brasileira permanece barata há tempo suficiente para que essa comparação não seja suficiente para orientar a decisão.

O prêmio de risco está em 3,6 pontos, abaixo da média histórica de 4,9 pontos. Na análise dos resultados, a Kinea informa que, desde 2010, o lucro do Ibovespa em dólar cresceu em média 2,6% ao ano. Para a gestora, o retorno depende mais do momento de entrada e saída do que de um crescimento composto dos lucros.

Entre as ações consideradas defensivas estão empresas de energia e saneamento, como Sabesp (SBSP3) e Eneva (ENEV3). A escolha considera negócios sustentados por concessões longas, monopólios naturais e receitas indexadas.

Outro grupo reúne construtoras voltadas à população de baixa renda. Segundo a Kinea, o crescimento desse segmento é sustentado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, com taxas definidas por faixa de renda e subsídios do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que reduz a exposição da demanda aos juros de mercado.

O setor bancário aparece entre as oportunidades comprimidas, com possibilidade de benefício em uma eventual queda dos juros provocada por um ajuste fiscal. A mesma categoria inclui os setores industrial e de varejo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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