A campanha de Rebeca Ramagem (PL-RJ) destinou mais de R$ 150 mil a ex-assessores e pessoas ligadas à trajetória profissional de seu marido, Alexandre Ramagem. Os pagamentos foram feitos com recursos públicos do fundo partidário do PL, que repassou R$1,5 milhão à candidatura.
Os dados estão registrados na plataforma DivulgaCand Contas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Rebeca está nos Estados Unidos desde 2025 com Ramagem, ex-diretor da Abin e ex-deputado federal condenado a 16 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira.
Entre os contratados está Aline Laudelina Lopes dos Santos Pires, que recebeu R$ 10 mil para atuar como coordenadora de equipe. Ela é irmã do blogueiro Allan dos Santos, condenado por calúnia e indiciado em inquéritos sobre Fake News e atos antidemocráticos no Supremo Tribunal Federal, sob acusações de lavagem de dinheiro, organização criminosa e incitação ao crime. Aline não é investigada em nenhum procedimento judicial.
Allan dos Santos e Ramagem apresentam juntos o canal Revista TimeLine, no YouTube, com mais de 440 mil inscritos. Em 2025, a página foi bloqueada no Brasil por ordem judicial e passou a ser acessível apenas por VPN. As empresas dos dois também estão registradas no mesmo escritório na Flórida.
Aline mora no Brasil e presta serviços ao canal. Em agosto, fez a cobertura do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, em Copacabana. Na ocasião, a campanha de Rebeca enviou bonecos de papelão dela e de Ramagem para representá-los no evento.
Outros pagamentos
A empresa Farol Comunicação Integrada Ltda recebeu R$ 80 mil por serviços de marketing. A companhia pertence a Elisa Brom de Freitas, influenciadora com mais de 580 mil seguidores no X, que também trabalha para a campanha de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado em Santa Catarina.
Brom foi secretária parlamentar de Ramagem até dezembro do ano passado. Em 2022, ela foi alvo de uma ação no TSE por publicar desinformação contra Luís Inácio Lula da Silva (PT). O perfil dela ajudou a espalhar a alegação de que Lula teria desviado presentes recebidos de chefes de Estado durante seus primeiros mandatos.
Além de Brom, outros seis ex-funcionários do gabinete de Ramagem foram contratados pela campanha, com pagamentos entre R$ 10 e R$ 15 mil cada. Eles operam a campanha no Brasil enquanto Rebeca e o marido estão nos Estados Unidos.
A candidatura de Rebeca é analisada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. O julgamento foi adiado na última segunda-feira (15/09), após pedido de vistas da desembargadora Tathiana de Carvalho Costa. O relator, Paulo César Salomão Filho, afirmou que aceitar a candidatura seria um “tapa na cara no Poder Judiciário”. Outros três ministros votaram pela manutenção da candidatura, formando maioria.
A assessoria de Rebeca foi questionada sobre as contratações, mas não respondeu até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.



