A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou, na noite de sábado (5), uma mensagem de apoio a André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto foi divulgado no Instagram junto a uma fotografia em que os dois aparecem de mãos dadas, durante o confronto entre Mendonça e Alexandre de Moraes envolvendo as investigações sobre o Banco Master.
Michelle afirmou ter recebido uma revelação religiosa antes da indicação de Mendonça ao STF, em julho de 2021. Segundo ela, a experiência ocorreu durante uma oração em uma “salinha de consagração”. Na mensagem, disse ter visto o ministro entrando no tribunal com uma nuvem branca sobre a cabeça.
Ao se dirigir a Mendonça, a ex-primeira-dama pediu que ele permanecesse firme diante das pressões. “Seja forte e corajoso. Não retroceda!”, escreveu. Em outro trecho, chamou o ministro de “escolhido e ungido do Senhor”.
A manifestação ocorreu depois de uma semana de conflito entre Mendonça e Moraes. Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo de documentos produzidos pela Polícia Federal nas investigações sobre o Banco Master. O material reúne mensagens e registros de contatos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, fundador da instituição, com Moraes e outras autoridades.
Os documentos também mencionam contatos de Vorcaro com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. Na quinta-feira (3), Moraes encaminhou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, relatórios de Inteligência da Polícia Federal com acusações contra Mendonça.
As suspeitas citadas envolvem possível abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução das operações Compliance Zero, relacionada ao Banco Master, e Sem Desconto, sobre fraudes no INSS. Também foram mencionadas possíveis interferências no trabalho de investigadores, participação irregular em negociações de colaboração premiada e escolha de alvos por razões pessoais ou políticas. Mendonça contesta as acusações.
Tramitação no STF
Na sexta-feira (4), Fachin determinou que os documentos fossem retirados do Inquérito das Fake News e transferidos para a Petição 16.704, sob responsabilidade da Presidência do STF. A decisão não reconheceu a validade das acusações nem abriu automaticamente uma investigação contra Mendonça.
A Procuradoria-Geral da República recebeu prazo de cinco dias úteis para se manifestar sobre a admissibilidade do pedido. Depois disso, Mendonça terá o mesmo prazo para apresentar uma resposta.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal pediu que Paulo Gonet se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados aos fatos em que seu nome aparece. Ao menos um dos relatórios usados por Moraes contém ressalvas sobre o valor probatório e a confiabilidade de parte das informações, conforme informações que circularam no período.
Apoio religioso
A indicação de Mendonça ao STF foi feita por Jair Bolsonaro, que havia prometido um ministro “terrivelmente evangélico”. Pastor presbiteriano, Mendonça tomou posse em dezembro de 2021, na cadeira deixada por Marco Aurélio Mello, depois de o Senado aprovar seu nome por 47 votos a 32, em 1º de dezembro daquele ano. A posse ocorreu em 16 de dezembro.
Na véspera da publicação de Michelle, Mendonça enviou um vídeo a líderes religiosos. Ele agradeceu mensagens de oração e carinho e disse que as preces tinham sido fundamentais para sustentá-lo e apoiar sua família. O vídeo foi divulgado pela deputada federal Bia Kicis.
Michelle é candidata ao Senado pelo Distrito Federal. A mensagem publicada em 5 de setembro reforçou o apoio de setores religiosos e bolsonaristas ao ministro durante o embate no Supremo.



