A oposição pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que apure uma possível situação de impedimento ou suspeição do ministro Alexandre de Moraes. A manifestação também solicita a avaliação de eventuais nulidades em atos praticados por Moraes nos processos relacionados ao 8 de Janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Protocolado nesta quinta-feira (3), o pedido é assinado pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC), vice-líder da oposição na Câmara. Segundo o parlamentar, a intenção é preservar elementos de prova e avaliar o impacto de informações recentes sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro. Zé Trovão afirma que não está antecipando uma conclusão sobre eventual irregularidade.
A representação não pede a anulação automática das condenações. O documento solicita que o STF identifique, caso os fatos envolvendo o Banco Master comprometam a imparcialidade de Moraes, desde quando isso teria ocorrido e quais decisões dependeram de atos eventualmente inválidos.
A crise no Supremo aumentou depois que o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre diálogos e encontros de Vorcaro. Na mesma data, Moraes determinou que a PF enviasse relatórios que mencionassem integrantes da Corte. Entre os materiais estavam referências a Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e Mendonça.
As mensagens atribuídas a Vorcaro indicam que o banqueiro conversou com o contato identificado como Alexandre de Moraes antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na noite de 17 de novembro de 2025. Em uma delas, perguntou se deveria estar fora do país e citou o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, responsável pelo mandado.
Em 30 de outubro, Vorcaro também perguntou a Moraes sobre sua presença em Madrid. O STF informou que o ministro esteve de 28 a 30 de outubro de 2025 na Espanha para participar de um congresso sobre Justiça Constitucional. Nas mensagens, o banqueiro ainda citou supostas pressões contra o Banco Master e mencionou Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Fachin abriu um procedimento separado para analisar as acusações dos dois ministros e retirou o caso do inquérito das fake news. Os envolvidos terão cinco dias para se manifestar. Em despacho, Fachin afirmou que a autoridade do cargo não elimina deveres, limites e responsabilidades previstos na Constituição, nas leis e no STF.



