CURITIBA — O Supremo Tribunal Federal (STF) investiga condutas atribuídas a Sergio Moro durante o período em que ele atuou como juiz federal no Paraná. O caso envolve denúncias apresentadas pelo empresário e político Tony Garcia, que firmou acordo de colaboração premiada sob condução de Moro após ser preso em uma investigação sobre o Consórcio Garibaldi.
Moro passou 22 anos na magistratura e comandou a 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que depois passou a ser chamada de 13ª Vara Federal de Curitiba. A unidade concentrou processos da Operação Lava Jato e também recebeu casos como o Banestado, a Operação Farol da Colina e a Operação Agro-Fantasma.
Documentos apreendidos e análise no STF
Em dezembro de 2025, o ministro Dias Toffoli autorizou uma operação de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba. A Polícia Federal cumpriu a medida para localizar documentos, mídias e arquivos que não haviam sido enviados ao Supremo, apesar de solicitações repetidas.
O material está relacionado às denúncias de Garcia, que afirmou ter atuado como uma espécie de agente infiltrado de Moro e do Ministério Público Federal. O empresário apresentou esse relato em março de 2021, durante depoimento à então titular da Vara, a juíza Gabriela Hardt, e a uma representante do MPF.
A apuração ganhou impulso em 2023, quando Eduardo Appio assumiu o comando da 13ª Vara. Depois disso, o caso passou a ser analisado também pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal. Toffoli determinou a obtenção de registros ligados a 18 ações que tramitaram na unidade.
Entre os arquivos localizados estão transcrições de escutas que envolveriam desembargadores do TRF-4 e políticos com foro privilegiado. Parte das gravações teria sido feita pelo advogado Sérgio Costa, outro colaborador da Vara. Ainda é necessário verificar quais denúncias têm respaldo documental, quem determinou as diligências, quais autoridades foram monitoradas e o destino do material.
Defesa de Sergio Moro
Moro nega ter cometido ilegalidades e afirma não ter tido acesso aos autos do inquérito. Ele classificou os relatos como “fantasiosos” e sustenta que as investigações realizadas entre 2004 e 2006 seguiam as práticas e a jurisprudência da época.
Em outubro de 2023, o senador afirmou que “nunca autorizou gravação ou medida investigatória contra magistrados” da Justiça Federal, do TRF-4 ou do STJ. Documentos encontrados posteriormente, porém, mostram despachos e outros registros assinados pelo então juiz que determinavam ou sugeriam interceptações e gravações envolvendo pessoas com foro privilegiado.
A investigação ainda deve esclarecer se as medidas estavam dentro da competência de Moro e se houve irregularidades na produção, no armazenamento ou no uso das gravações e dos relatórios.



