O Tribunal Superior Eleitoral manteve, na 2ª feira (21.set.2026), a suspensão da campanha de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná. A decisão foi confirmada por 5 votos a 2, após liminar do ministro Floriano de Azevedo Marques.
Além de impedir os atos de campanha, a medida veta a veiculação de propaganda eleitoral de Dallagnol no rádio e na televisão. O candidato também fica impedido de receber ou usar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Floriano de Azevedo Marques, Dias Toffoli, Estela Aranha, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis votaram pela suspensão. André Mendonça e Kassio Nunes Marques foram contrários.
Na semana anterior, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná havia liberado o registro da candidatura por 4 votos a 3. Ao suspender a campanha, Floriano afirmou que o tribunal regional contrariou um entendimento consolidado no TSE sobre a situação jurídica de Dallagnol. O ministro classificou a liberação como um ato “sem o mínimo respaldo jurídico” e com potencial para gerar “efeitos disturbadores do processo eleitoral”.
Histórico do caso
A disputa envolve a saída de Dallagnol do Ministério Público Federal, em novembro de 2021. Em 2023, o TSE decidiu por unanimidade que ele deixou o cargo para evitar possíveis consequências de 15 procedimentos disciplinares em andamento. Para a Corte, a conduta configurou fraude à lei e resultou na cassação do mandato de deputado federal obtido nas eleições de 2022.
Em setembro de 2026, o TRE-PR considerou que a situação havia mudado depois do arquivamento dos procedimentos administrativos no Conselho Nacional do Ministério Público. Com isso, autorizou o registro da candidatura.
Floriano rejeitou essa justificativa. Segundo o ministro, os fatos avaliados pelo TSE em 2023 já eram conhecidos quando o tribunal regional tomou sua decisão e não houve circunstância nova que justificasse a mudança de entendimento.
Dallagnol declarou que vai recorrer. O candidato relacionou a suspensão à amizade entre Floriano e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. Floriano disse ser amigo de Moraes há 40 anos, desde a faculdade. Dallagnol também afirmou que a decisão ocorreu na mesma semana em que apresentou a candidatos um pedido de impeachment contra Moraes. Essa relação é uma alegação da defesa, não uma conclusão do TSE.



