As doenças cardiovasculares representam uma pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), em um cenário marcado pelo envelhecimento da população, pela alta prevalência de doenças crônicas e pelo aumento da procura por atendimento. Além do impacto na saúde, o problema envolve custos com tratamentos, internações e afastamentos do trabalho.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estima que aproximadamente 400 mil brasileiros morram anualmente em decorrência dessas doenças. Elas respondem por cerca de 28% de todas as mortes registradas no país. De acordo com a entidade, cerca de 80% desses casos poderiam ser evitados com prevenção, diagnóstico precoce e controle de fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo.
Impacto econômico
As doenças cardiovasculares geram um impacto econômico próximo de R$ 10 bilhões por ano no Brasil. A estimativa considera despesas diretas com assistência médica e custos indiretos ligados à perda de produtividade, aos afastamentos do trabalho e às aposentadorias precoces.
Os procedimentos cardiovasculares realizados pelo SUS representam mais de R$ 1 bilhão anuais. Esse valor não inclui gastos com medicamentos, exames diagnósticos, consultas especializadas e reabilitação.
Um estudo publicado em 2026 na revista BMC Health Services Research estima que as doenças ateroscleróticas — entre elas, a doença arterial coronariana, o acidente vascular cerebral isquêmico e a doença arterial periférica — deverão gerar impacto econômico de R$ 59,4 bilhões para a sociedade brasileira entre 2025 e 2029.
A projeção também indica que a quantidade de brasileiros vivendo com doenças cardiovasculares deve mais do que dobrar até 2035, passando de 6,2 milhões para 13,6 milhões de pessoas.
Prevenção e inovação
Novas terapias, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico, exames mais precisos, medicina personalizada e monitoramento remoto ampliaram a capacidade de identificar riscos e intervir precocemente. O desafio está em ampliar o acesso a essas ferramentas e incorporar a prevenção de forma permanente às políticas públicas.
O Instituto do Coração (InCor) e a Fundação Zerbini são citados como instituições que atuam em pesquisa, inovação, formação profissional e incorporação de tecnologias. Essas iniciativas produzem evidências para apoiar decisões na gestão da saúde e qualificar a assistência.
O controle dos fatores de risco, a adoção de hábitos saudáveis, o acesso ao diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento podem reduzir internações e a necessidade de procedimentos de alta complexidade. A prevenção também é apresentada como uma forma de preservar recursos e diminuir a pressão sobre os hospitais.
A avaliação é de Carlos Alberto Pastore, vice-presidente da Fundação Zerbini, que defende que o debate sobre as doenças cardiovasculares avance além da assistência médica e seja tratado como uma agenda estratégica para o desenvolvimento do país.




