A Associação de Hospitais Filantrópicos Privados (Ahfip) iniciou um projeto-piloto de compras conjuntas para hospitais associados, após receber autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As primeiras negociações envolvem medicamentos e suprimentos hospitalares, com expectativa de economia entre 10% e 25%.
As instituições associadas somam cerca de 9,5 mil leitos. A Ahfip informou que R$ 300 milhões em compras conjuntas para 2026 já foram analisados. As negociações são realizadas em uma plataforma da Bionexo Tasy, com consultoria do escritório Mattos Filho.
Entre as primeiras aquisições estão medicamentos oncológicos e imunobiológicos da Bristol Myers Squibb (BMS), além de materiais de uso hospitalar, como aventais e álcool em gel. Segundo Wilson Pedreira, CEO da Ahfip, o grupo trabalha com cestas específicas de medicamentos para cada farmacêutica, modelo que pode facilitar parcerias entre hospitais e fornecedores.
“Garantimos a anonimização de todos os dados, a não circulação de informações e a proteção de aspectos concorrenciais sensíveis”, afirmou Pedreira. Os hospitais têm acesso apenas aos valores que cada instituição deverá pagar na divisão da compra. Já os fornecedores conhecem somente o valor total negociado.
Novas frentes de negociação
A associação também estrutura compras de computadores, serviços de cibersegurança e outras aplicações de tecnologia. Há tratativas para logística, manutenção e serviços, além da expectativa de incluir dispositivos e equipamentos médicos no escopo do projeto.
A Ahfip reúne 12 associados, entre eles Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Hcor, A.C.Camargo, BP e São Camilo. A entidade afirma que as compras conjuntas fazem parte de uma estratégia para aproveitar semelhanças entre as instituições, preservando a independência e o cumprimento das regras de concorrência.
As compras são planejadas com base na demanda mensal projetada para um período de 12 meses. Pedreira disse que os descontos podem ser mais expressivos no começo, mas que será necessário buscar novas formas de inovação ao longo do tempo para ampliar os ganhos de hospitais e fornecedores.
“O mercado tradicionalmente opera com uma lógica de ganha-perde”, afirmou o executivo. Segundo ele, a proposta é construir negociações de longo prazo, com previsibilidade para os fornecedores e sustentabilidade para os envolvidos.



