Mais de 546 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior, informou o Ministério da Previdência Social. Nesse cenário, 70% dos usuários consultados pela Doctoralia já usaram ou considerariam usar aplicativos ou chatbots de inteligência artificial para lidar com questões emocionais ou psicológicas.
Em uma crise forte de ansiedade, porém, a IA aparece como primeira opção para apenas 4% dos entrevistados. O atendimento com psicólogo ou psiquiatra seria procurado primeiro por 39%. A pesquisa ouviu 3.903 usuários da plataforma, de todos os estados brasileiros.
A desconfiança também é significativa entre as pessoas que já experimentaram a tecnologia. 63% não confiariam em um diagnóstico de ansiedade ou depressão feito exclusivamente por IA. Além disso, entre os participantes que levaram a um profissional de saúde mental uma orientação recebida de uma ferramenta, 47% foram informados de que o conteúdo estava errado ou apresentava risco.
“Fizemos essa pesquisa para entender como o brasileiro usa IA quando o assunto é saúde emocional, inclusive nos momentos mais difíceis”, disse Flavia Soccol, Diretora Global de Patient Care da Doctoralia. Segundo ela, o resultado sobre crises de ansiedade mostra que a tecnologia não substitui a procura por atendimento profissional.
Acesso e acompanhamento
Entre os que já usaram IA para uma questão emocional, 47% foram estimulados pela ferramenta a buscar acompanhamento humano. Para 15%, a conversa com a tecnologia foi considerada suficiente. A psicóloga Daiane Fernandes Viana, disponível na plataforma Doctoralia, afirmou que pacientes costumam chegar ao consultório depois de conversar com aplicativos sobre ansiedade ou tristeza e que o acompanhamento terapêutico deve ser incentivado.
Disponibilidade 24 horas foi citada por 31,2% dos usuários como motivo para recorrer à IA, enquanto 26,2% mencionaram o custo. A vergonha de falar com alguém apareceu em 14% das respostas. A Doctoralia também lançou o Doctoralia Terapia, serviço 100% online que conecta pacientes a psicólogos para sessões remotas.
Entre responsáveis por adolescentes de 13 a 17 anos, 25,4% não sabem se os filhos já usaram IA para tratar de uma questão emocional. Outros 36,9% nunca conversaram com eles sobre os riscos da ferramenta. Ao mesmo tempo, 48,9% disseram monitorar os filhos ou falar regularmente com eles sobre o tema. Para 78,3% dos entrevistados, as escolas deveriam orientar os alunos sobre o uso seguro da IA.
A amostra teve 49% de respondentes do Sudeste, 19% do Sul, 14% do Nordeste, 11% do Centro-Oeste e 7% do Norte. Entre os adultos, as mulheres foram maioria em todas as faixas etárias. Na faixa de 0 a 17 anos, referente aos filhos dos participantes, eram 49,2% de meninas e 50,8% de meninos.




