Os registros de esgotamento profissional aumentaram 493% no Brasil entre 2021 e 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social e do INSS. Burnout, depressão e ansiedade estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no país.
O cenário é acompanhado pela psicóloga e psicanalista Fabiana Ratti, que relata observar há mais de duas décadas pacientes com queixas de sobrecarga e desvalorização no ambiente corporativo. A experiência levou a autora, mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a escrever o livro “Café com Freud e Lacan – Liderança e laços afetivos e políticos no cotidiano e no mercado de trabalho”.
A obra tem 172 páginas e usa conceitos de Sigmund Freud e Jacques Lacan para analisar situações recorrentes nas empresas. O livro também apresenta ferramentas práticas para lidar com questões ligadas às relações profissionais, às escolhas de carreira e à saúde mental.
Liderança e saúde mental
A autora sustenta que discursos motivacionais, sozinhos, não são suficientes para manter uma trajetória profissional saudável. Na avaliação de Fabiana Ratti, quem pretende chegar a posições de liderança sem adoecer precisa reconhecer as próprias emoções, revisar a relação com o passado e amadurecer suas decisões profissionais.
“O coração é inteligente. Ele possui uma sabedoria que, se bem ouvida e direcionada, pode levar o sujeito a ter menos estresse, dissabores, burnouts e depressões”, escreve a autora.
Dividido em cinco capítulos, o livro aborda conceitos como identificação, desejo e pulsão de vida a partir de exemplos do cotidiano empresarial. A primeira parte trata do narcisismo e o relaciona ao funcionamento em piloto automático, quando profissionais têm dificuldade de perceber as exigências específicas de cada situação.
No capítulo Política das Relações, Fabiana Ratti discute como as pessoas buscam ocupar espaço nas organizações e defende a formação de alianças para ampliar possibilidades profissionais. A obra também analisa a influência do inconsciente nas decisões, nas relações de trabalho e na construção de identidade e reputação.
A proposta é incluir o cuidado com a saúde mental na preparação de novos líderes e no desenvolvimento profissional, em vez de tratá-lo como um assunto separado da carreira.



