SÃO PAULO — Uma obra ao lado de uma creche na Penha, na Zona Leste de São Paulo, preocupa pais e moradores. A construção é da mesma construtora responsável pelo prédio que desabou na região e deixou seis mortos. O local está embargado desde o ano passado.
A creche fica a pouco mais de 1 km do terreno onde ocorreu o desabamento, na Rua Tequici, no sábado (12). As duas construções ficam “parede com parede”. Após o acidente, a escola reuniu os pais para discutir a possibilidade de suspender as aulas. A decisão depende do resultado de uma vistoria da Prefeitura de São Paulo prevista para esta quarta-feira (16).
O terreno não tem placas de identificação da obra. As paredes do último andar aparentam estar sem amarração, e há grande quantidade de entulho acumulada na fachada. Moradores também disseram que a sede da construtora, localizada na mesma região, não abriu as portas depois do desabamento.
Desabamento na Penha
O prédio em construção caiu sobre uma casa na madrugada de sábado (12). Seis pessoas morreram, entre elas uma mulher grávida. Uma criança de 7 anos e um homem de cerca de 30 anos foram resgatados com ferimentos.
A Prefeitura de São Paulo informou que o responsável pelo imóvel havia solicitado um alvará em 2019, mas o pedido foi indeferido. Depois de fiscalizações, multas e da interdição da obra, a administração municipal entrou na Justiça, em 2021, para pedir a demolição de uma construção irregular no terreno. Uma das multas chegou a R$ 119 mil.
A Justiça concedeu uma liminar para interromper as obras. Em 2022, foi apresentado um novo projeto. Em agosto de 2023, a prefeitura emitiu um alvará para a nova construção, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria de fevereiro de 2024 registrou que a demolição havia sido feita, e o processo judicial foi extinto. Depois do desabamento, porém, a prefeitura abriu uma investigação na Controladoria Geral do Município para verificar os procedimentos de fiscalização. As apurações preliminares indicam que a demolição exigida pode não ter ocorrido. A servidora responsável pelo laudo foi afastada inicialmente por 30 dias, e a Polícia Civil também investiga o caso.


