MINAS GERAIS — O dinheiro destinado às apostas esportivas já afeta as escolhas de consumo de parte dos mineiros, segundo pesquisa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG). Entre as pessoas que já tiveram contato com as bets, o gasto médio mensal foi de R$ 290,83.
Do total de entrevistados, 16,7% disseram que utilizam ou já utilizaram plataformas de apostas, enquanto 83,3% nunca apostaram. Entre os que têm esse histórico, 61,9% são homens e 38,1% são mulheres. A diferença também aparece nos valores: o gasto médio informado pelos homens foi de R$ 342,88 por mês, contra R$ 206,25 entre as mulheres, uma distância de aproximadamente 66%.
Entre os entrevistados que já apostaram, 21,4% afirmaram ter deixado de comprar produtos ou serviços, incluindo alimentação, lazer e outros itens, para destinar dinheiro às apostas. Além disso, 19% relataram ter se endividado ou atrasado contas por causa da prática.
Metade dos participantes, ou 50%, disse ter tido prejuízo financeiro com as bets. Outros 28,6% afirmaram ter obtido lucro na comparação com o total já gasto, enquanto 21,4% consideraram o resultado indiferente.
O economista da FCDL-MG, Vinícius Carlos Silva, afirmou que o avanço das apostas também precisa ser avaliado pelos efeitos sobre a economia real. “O comércio e os serviços dependem da circulação desses recursos para manter suas atividades, gerar empregos e movimentar a economia”, disse.
Frequência e formas de pagamento
A pesquisa indica que 35,7% dos apostadores fazem apostas ou já fizeram isso mensalmente. Outros 26,2% apostam raramente, 21,4% diariamente, 14,3% semanalmente e 2,4% anualmente. O levantamento considera tanto quem aposta atualmente quanto quem já usou essas plataformas.
O Pix é o principal meio de pagamento, usado por 77,6% dos entrevistados que apostam ou já apostaram. O cartão de crédito aparece em seguida, com 14,3%, e o cartão de débito foi citado por 8,2%.
A FCDL-MG informou que os dados não permitem calcular o total de dinheiro retirado do comércio mineiro. A entidade, porém, afirmou que os resultados mostram a substituição de gastos com produtos e serviços por apostas para uma parcela dos consumidores.
Silva disse que a federação pretende contribuir para um debate baseado em dados sobre os efeitos das bets no planejamento financeiro das famílias e na capacidade de consumo. Para o economista, educação financeira e informação são necessárias para evitar o comprometimento de recursos destinados ao sustento e às obrigações.



