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Economia

Receita de Minas chega a R$ 80,3 bilhões, mas fica estável após inflação

Arrecadação cresceu 4,36% até agosto de 2026, enquanto especialistas estimam avanço real de aproximadamente 0,01%.

Receita de Minas chega a R$ 80,3 bilhões, mas fica estável após inflação

A arrecadação do governo de Minas Gerais totalizou R$ 80,3 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. O resultado representa alta de 4,36% sobre os R$ 76,97 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Após a correção pela inflação, porém, a receita ficou praticamente estável em termos reais.

A advogada tributarista e professora da PUC Minas Polyany Cunha calcula uma variação real de aproximadamente 0,01% no acumulado até agosto, considerando a correção mensal pelo IPCA. Para ela, o crescimento nominal apenas recompôs a perda de poder de compra provocada pela inflação. O professor do UniBH Fernando Sette Junior também avalia que o aumento de R$ 3,36 bilhões representa avanço nominal, mas não uma expansão real relevante.

A arrecadação, segundo os especialistas, não é equivalente à atividade econômica. Alterações nas regras tributárias, fiscalização, recuperação de débitos e calendário de pagamentos podem mudar a receita sem acompanhar, na mesma proporção, a produção ou o consumo. Polyany Cunha afirmou: “Arrecadar mais não significa, necessariamente, produzir mais.”

Dados do Banco Central, no entanto, apontam crescimento de aproximadamente 1,5% da atividade econômica mineira nos 12 meses encerrados em junho de 2026. Na avaliação da professora, houve expansão moderada da economia, mas esse movimento não deve ser confundido com a evolução da arrecadação.

ICMS lidera aumento

O ICMS e o IPVA respondem por aproximadamente 98% do aumento líquido da receita acumulada. Conforme os dados da SEF, R$ 58,2 bilhões do total arrecadado vieram do ICMS e R$ 11,6 bilhões do IPVA.

Na comparação entre agosto de 2026 e o mesmo mês do ano passado, o ICMS avançou 6,74% e respondeu por cerca de 80% do acréscimo total. A arrecadação total de agosto foi de R$ 9,37 bilhões, alta nominal de 6,99% sobre agosto de 2025. Com IPCA de 4,22% em 12 meses, Fernando Sette Junior estima crescimento real de aproximadamente 2,66% no mês.

Entre julho e agosto, a receita total caiu 0,93%. A redução ficou concentrada em Outras Receitas. A receita tributária teve alta de 0,09%, enquanto o ICMS cresceu 0,96%. Para os dois especialistas, é preciso acompanhar uma sequência maior de resultados antes de identificar uma tendência.

Juros e dívida ativa

A receita de juros aumentou 9,49% no acumulado, passando de R$ 598,8 milhões para R$ 655,6 milhões. Essa rubrica representa 0,82% da arrecadação total e aproximadamente 1,7% do aumento nominal. O resultado, isoladamente, não permite concluir que a inadimplência tenha crescido.

A arrecadação da dívida ativa caiu 15,97% no acumulado. Polyany Cunha afirma que cerca de 95% da redução está ligada à diferença nos valores registrados em junho dos dois anos. Em junho de 2025, foram arrecadados R$ 259 milhões, contra R$ 104 milhões em junho de 2026. Em julho e agosto, a média ficou em torno de R$ 100 milhões.

Fernando Sette Junior considera o movimento um ponto de investigação e afirma que ele pode estar relacionado a programas de regularização ou a diferenças no calendário de pagamentos. Ele também ressalta que a arrecadação bruta não corresponde necessariamente ao dinheiro disponível para novas despesas, devido a repartições, vinculações e compromissos assumidos pelo Estado.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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