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Economia

Bancos ampliam private banking e disputam clientes com family offices

A concorrência entre bancos e escritórios independentes amplia serviços, reduz taxas e muda o atendimento às grandes fortunas.

Bancos ampliam private banking e disputam clientes com family offices
Foto: Adobe Stock

Grandes bancos estão ampliando as estruturas de private banking para disputar clientes de alta renda com os multi family offices (MFOs) independentes. O movimento aumenta a concorrência na gestão de fortunas e pode ampliar os serviços disponíveis e reduzir os custos para os investidores.

O private banking funciona dentro de um banco e concentra o atendimento na própria instituição. Já o MFO atua de forma independente, podendo acompanhar o patrimônio do cliente em diferentes empresas financeiras. Tradicionalmente, esses escritórios oferecem uma gestão patrimonial ampla, que inclui investimentos, planejamento tributário e sucessório e estruturas internacionais.

Bancos ampliam serviços e mudam a cobrança

Segundo Cássio Bariani, sócio-fundador da Smartbrain, os bancos reagiram à perda de clientes para os MFOs independentes e passaram a reforçar suas estruturas de atendimento. Além de aprimorar as áreas de private, algumas instituições criaram seus próprios family offices, como Santander e Bradesco. O C6 Bank também começou, desde maio de 2025, a oferecer serviços de atendimento para MFOs independentes.

A forma de remuneração também está mudando. Os MFOs costumam cobrar uma taxa fixa sobre o patrimônio investido, enquanto o private banking historicamente recebia principalmente por meio dos produtos distribuídos. Os bancos passaram a incorporar serviços de gestão e consultoria cobrados por fees, aproximando-se do modelo dos escritórios independentes.

Bariani afirma que as taxas ficam hoje, em média, em 0,75%, com casas oferecendo valores de 0,3% a 0,4%. Ele avalia, porém, que a redução deve encontrar um limite porque a estrutura necessária para prestar o serviço tem custo elevado.

O piso de investimentos para acessar o private também caiu em parte do mercado. A maior parte dos bancos consultados trabalha com mínimo de R$ 10 milhões, enquanto Banco do Brasil e C6 Bank atendem clientes a partir de R$ 5 milhões, valor usado pela Anbima para classificar esse público.

Estratégias para atrair grandes fortunas

O Bradesco oferece modelos de remuneração ligados aos produtos distribuídos e também por fee fixo. No segmento high, voltado a fortunas a partir de R$ 10 milhões, acompanha famílias em formação patrimonial. No ultra high, destinado a patrimônios a partir de R$ 100 milhões, o foco está em famílias com patrimônio consolidado.

O banco também mantém um multi family office próprio e atende escritórios independentes. Leandro Karam, diretor do Bradesco Global Private Bank, afirma que private banking e family office podem atuar de forma complementar.

O Santander mantém o Beyond Wealth, family office próprio lançado oficialmente em abril de 2026 no Brasil. A estrutura atende atualmente famílias com patrimônio a partir de R$ 100 milhões, mas a instituição pretende reduzir esse limite para R$ 10 milhões até o fim do ano. O serviço acompanha o patrimônio global da família, inclusive recursos em outras instituições.

No Santander, o private banking atende fortunas a partir de R$ 10 milhões e se concentra na parcela alocada no banco. A cobrança do family office considera o patrimônio, mas desconta a parte que já está sob gestão ativa da instituição. Até o fim do ano, o banco pretende lançar a gestão discricionária, modalidade em que o investidor delega a um gestor profissional as decisões de compra e venda de ativos.

O C6 Bank também ampliou o atendimento à alta renda. O C6 Carbon é voltado a clientes que recebem mais de R$ 15 mil por mês ou mantêm pelo menos R$ 150 mil aplicados no banco. Para quem tem patrimônio maior, o C6 Graphene atende investidores com mais de R$ 5 milhões investidos na plataforma.

Disputa inclui atendimento e presença regional

Igor Rongel, head de private do C6 Bank, afirma que a instituição passou a buscar maior personalização depois do lançamento do C6 Carbon. Na avaliação dele, como os produtos de investimento se tornam mais parecidos entre os bancos, o serviço e o relacionamento ganham importância.

Outra estratégia é a regionalização. O Itaú Private Bank, que atende clientes com patrimônio a partir de R$ 10 milhões, abriu seis escritórios desde 2022, em Bauru (SP), Fortaleza, Goiânia, Brasília, Salvador e Blumenau (SC). A instituição também criou nichos voltados a áreas como agronegócio, tecnologia, esportes e entretenimento.

O BB Private, área de private banking do Banco do Brasil, investe na formação de novas gerações de herdeiros por meio do Generations, programa criado em 2018 com ações no Brasil e no exterior voltadas à sucessão patrimonial.

Concorrência e parceria com MFOs

A relação entre bancos e MFOs também envolve parceria. Felipe Bichara, CEO de wealth management do grupo Fami Capital, afirma que as instituições financeiras reconhecem a importância dos escritórios independentes na conquista de clientes. A Faros, family office do grupo, atende investidores a partir de R$ 15 milhões e adota o modelo fee based.

O Mirabaud, grupo bancário e financeiro com sede em Genebra, na Suíça, atende no Brasil clientes com pelo menos R$ 10 milhões e trabalha com taxa fixa. Pedro Vianna, diretor de distribuição do family office, aponta a atuação no exterior como um diferencial.

A escolha entre um MFO e o private banking depende do perfil do investidor, e não apenas do patrimônio. Clientes com estruturas simples podem não precisar de um family office, enquanto patrimônios mais sofisticados podem se beneficiar desse tipo de acompanhamento.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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