A criação de empregos nos Estados Unidos alterou as projeções para a próxima decisão do Federal Reserve. A economia americana abriu 162 mil vagas em agosto, e a taxa de desemprego ficou em 4,1%, conforme o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS).
A ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar probabilidade de 58,4% para uma alta de 0,25 ponto porcentual na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que termina em 16 de setembro. Se a elevação ocorrer, os juros sairão da faixa de 3,50% a 3,75% para 3,75% a 4%. O restante dos operadores prevê manutenção.
Inflação mantém pressão sobre o banco central
O mercado também acompanha o comportamento dos preços. O último relatório do índice de preços ao consumidor (CPI), divulgado em meados de agosto, apontou inflação de 3,4% em 12 meses, acima da meta de 2% do Fed. O próximo dado será divulgado na sexta-feira, 11.
Os efeitos da guerra no Oriente Médio e das tarifas comerciais continuam pressionando a oferta de produtos. Analistas esperam que os próximos números reforcem a necessidade de uma elevação dos juros.
O Bank of America avalia que uma alta mensal de 0,24% ou mais no núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) de agosto aumentaria a possibilidade de o Fed chegar à reunião de setembro com as apostas de alta acima de 50%.
Para os analistas do banco, a decisão de manter os juros poderia levantar dúvidas sobre a credibilidade da instituição e elevar os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro americano. Esse movimento poderia desfazer parte dos esforços do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que tem recomprado títulos públicos nas últimas semanas para aliviar a pressão sobre o mercado de dívida.
Projeções de bancos mudam
David Doyle, do Macquarie, antecipou de dezembro para setembro sua previsão para o primeiro aumento de 0,25 ponto porcentual. Ele também mantém a expectativa de uma segunda alta no primeiro trimestre de 2027.
O UBS passou a projetar duas altas neste ano, em setembro e dezembro. Para o diretor de investimentos Mark Haefele, o contexto da decisão será mais relevante do que o tamanho do aumento. Ele afirmou que é diferente um Fed reagir à força da economia americana ou a problemas de inflação, e que essa distinção tem mais importância para as carteiras do que a próxima reunião de política monetária.
Trump insiste em juros menores
A mudança nas expectativas do mercado ocorre enquanto a Casa Branca continua pressionando por cortes. O governo Trump ainda não obteve a redução das taxas que cobrava do antecessor de Kevin Warsh, Jerome Powell.
Trump voltou a pedir juros menores em uma publicação na Truth Social, na tarde de sexta-feira. “Reduzam os juros porque os Estados Unidos têm uma qualidade de crédito muito mais forte do que tinham há pouco tempo!”, escreveu.
O presidente também afirmou que deixará de negociar comercialmente com países com os quais os Estados Unidos mantêm déficit comercial caso as taxas não caiam. Em outra mensagem, disse que o conselho do Fed precisa agir com inteligência e classificou os juros altos como uma desvantagem para os Estados Unidos.
O vice-presidente JD Vance apresentou argumento semelhante na semana passada. Segundo ele, Trump quer reduzir os juros porque isso ajudaria os americanos a comprar uma casa. Vance também disse que o governo busca manter as taxas baixas, mas gostaria de receber ajuda do Federal Reserve.



