Investidores estrangeiros voltaram a aplicar recursos na Bolsa brasileira em setembro, depois de uma saída líquida de R$ 22,2 bilhões em agosto. Até o momento, as entradas líquidas no mês somam R$ 10,8 bilhões, conforme cálculo da XP.
Do total, R$ 3,9 bilhões foram direcionados ao mercado à vista e R$ 6,8 bilhões, ao mercado futuro. Em agosto, as retiradas ficaram divididas entre R$ 18,1 bilhões no à vista e R$ 4,1 bilhões em futuros.
A XP relaciona a mudança ao cenário econômico mais favorável e ao interesse renovado pelo Brasil. Os analistas Fernando Ferreira, Raphael Figueredo, Caio Souza e Antonio Mello afirmam que o país “está voltando ao radar” dos investidores estrangeiros. Entre os fatores citados estão o avanço do chamado trade eleitoral, a melhora nas perspectivas para inflação e juros e a atratividade dos valores dos ativos e dos indicadores técnicos.
Setores e fundos
O movimento positivo alcançou 10 de 17 setores em setembro. Em agosto, apenas seis de 17 registraram entradas líquidas. Bens de Capital, Saúde, Alimentos & Bebidas e Papel & Celulose ficaram entre os setores com saldo positivo naquele mês. Saneamento, Bancos, Elétricas e Óleo, Gás e Petroquímicos concentraram as maiores saídas.
No acumulado de 2026, as entradas estrangeiras na Bolsa somam R$ 26,9 bilhões no mercado à vista. O valor ainda está abaixo do pico de R$ 69,1 bilhões registrado em meados de abril.
Os investidores domésticos, que haviam sido compradores líquidos em agosto, inverteram a direção no início de setembro. A indústria de fundos teve captação líquida de R$ 33,9 bilhões em agosto, impulsionada por fundos de renda fixa. Multimercados e fundos de ações, porém, continuaram registrando resgates.
Para Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora, setembro deve trazer mudanças no posicionamento dos investidores e oscilações. A corretora avalia que a Bolsa pode se valorizar com um ajuste fiscal em 2027, mas que o período eleitoral deve aumentar a volatilidade.



