SÃO PAULO — A próxima fase de expansão dos ETFs no Brasil pode depender menos da criação de novos fundos e mais da forma como esses produtos são usados nas carteiras. Gestão ativa, diversificação internacional e assessoria com menor dependência de comissões foram apontadas como tendências para a indústria durante a B3 Week 2026.
Isabella Nunes, do JPMorgan Asset Management, afirmou que os ETFs ativos representam cerca de 10% do mercado global, mas recebem aproximadamente 40% dos novos recursos destinados a ETFs. Embora ainda tenham uma fatia minoritária do patrimônio total, esses produtos avançam em ritmo superior ao da indústria como um todo.
A executiva disse que o Brasil pode seguir uma trajetória parecida com a dos Estados Unidos, ainda que com alguns anos de defasagem. Mudanças regulatórias feitas nos últimos anos no mercado americano facilitaram a criação de ETFs ativos.
Nos fundos passivos, o objetivo é acompanhar um índice. Já os ETFs ativos permitem que uma equipe de gestão selecione empresas, títulos e exposições de acordo com uma estratégia. Para o investidor brasileiro, que historicamente utiliza fundos de gestão ativa, a mudança está principalmente no veículo usado.
Nunes diferenciou as três principais estruturas. Nos ETFs tradicionais, os pontos centrais são custo, liquidez e capacidade de acompanhar o índice de referência. Nos produtos de smart beta, a atenção se concentra na metodologia de formação da carteira. Nos ETFs ativos, a avaliação envolve a equipe responsável, o processo de investimento e a capacidade de gerar retorno adicional.
O painel “Para onde vão os ETFs: as tendências que moldam a próxima década” ocorreu nesta quarta-feira (16). Também participaram Flavio Vegas, da Global X, e João Morbim, da B3.
Vegas afirmou que os ETFs globais permitem ao investidor brasileiro acessar setores, empresas e tendências pouco presentes na Bolsa local. Entre os temas citados estão inteligência artificial, eletrificação, transição energética, terras raras e defesa, com perspectivas que podem atravessar horizontes de 10, 15 ou 20 anos.
Os ETFs temáticos, porém, não precisam ocupar o centro da carteira. Segundo Vegas, a Global X costuma tratá-los como parte do “satélite” do portfólio. Para investidores de perfil mais arrojado, a referência trabalhada pela empresa é de aproximadamente 10% a 15% da carteira nessas exposições, especialmente quando há baixa correlação com índices amplos como S&P 500 e Nasdaq.
O painel também apontou que o Brasil já conta com uma oferta ampla: mais de 200 ETFs locais e mais de 300 ETFs globais acessíveis por meio de BDRs. O desafio passa a ser orientar investidores, assessores e consultores sobre como encaixar cada instrumento nas carteiras.
Outra possível mudança envolve a distribuição. Nunes destacou estruturas que remuneram o profissional pela gestão ou pelo aconselhamento do patrimônio, e não pela comissão associada à venda de cada produto. Nesse modelo, carteiras-modelo com ETFs podem ampliar o tempo dedicado pelo assessor ao relacionamento com o cliente.
A B3 Week 2026 ocorre entre 14 e 16 de setembro, em São Paulo. Em sua sétima edição, o evento reúne representantes do mercado de capitais brasileiro e de instituições internacionais para discutir economia, tendências globais, regulação, investimentos, dados e tecnologia.



