O Banco Inter prevê uma redução gradual da taxa Selic e da inadimplência nos próximos meses. A avaliação é que o ciclo de aperto monetário já começa a perder força, embora a queda dos juros esteja mais lenta do que o esperado e o endividamento das famílias permaneça elevado.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, afirmou que os estímulos fiscais e creditícios concedidos pelo governo federal dificultaram a atuação restritiva do Banco Central (BC). Com mais crédito disponível, as famílias tiveram maior fôlego, o que adiou os efeitos do aperto monetário.
“Estamos vendo o pico de inadimplência agora no terceiro trimestre, mas já começamos a ver nos nossos indicadores uma melhora marginal a partir de agora”, disse Rafaela. Segundo ela, a inadimplência deve acompanhar a queda da Selic e continuar recuando nos próximos meses.
Programas e crédito consignado
Para o CEO Brasil do Inter, Alexandre Riccio, o programa Desenrola e a proibição das bets têm pouco impacto estrutural sobre o banco e o mercado. Ele avaliou que o Desenrola é pontual e não altera significativamente a carteira de crédito no longo prazo. Sobre as bets, afirmou que uma eventual redução da exposição pode ajudar a inadimplência, mas que os efeitos ainda precisam ser acompanhados.
O consignado privado é considerado estratégico pelo Inter. A modalidade permite o desconto direto das parcelas na folha de pagamento de trabalhadores do setor privado com carteira assinada. Criado em 2003 e relançado com reformulação em março do ano passado, o produto passou a ser chamado de Crédito do Trabalhador.
As taxas médias do consignado ficam próximas de 1,8%, enquanto o crédito pessoal tradicional tem taxas de 7% a 8%. O cheque especial e o cartão de crédito têm custos ainda maiores. A estimativa é que o consignado privado seja de duas vezes e meia a quatro vezes mais barato que o crédito contratado no mercado aberto.
Riccio disse que ainda existem problemas operacionais, como a reivinculação, quando o trabalhador deixa a empresa e a dívida fica temporariamente sem vínculo. A partir de outubro, uma nova regulação deve atuar sobre essa questão. A expectativa do executivo é que a inadimplência fique abaixo dos 10% atuais e que as taxas oferecidas aos clientes continuem diminuindo.
Estratégia digital
O Inter também aposta na tecnologia para ampliar a relação com clientes e investidores. O banco conta com 9,6 milhões de investidores e oferece mais de 180 produtos estruturais e 400 papéis de renda fixa em seu Super App.
A head de Estratégia e Investimentos, Daniela Barreto, afirmou que a instituição usa hiperpersonalização e inteligência artificial para orientar os clientes. A assistente virtual Seven funciona em um ambiente de conversa e ajuda na alocação de portfólios, em dúvidas sobre extratos e em parcelamentos.
Segundo Daniela, a tecnologia direciona o cliente conforme suas características e interesses, facilitando o acesso aos produtos de investimento.


