O interesse estrangeiro por ações brasileiras alcançou estratégias globais e internacionais, além dos fundos voltados a mercados emergentes e à América Latina. O Itaú BBA chegou a essa avaliação após se reunir com 28 investidores institucionais em Nova York, Boston e Connecticut, durante um roadshow nos Estados Unidos.
Mesmo com essa procura, o posicionamento dos investidores no Brasil permanece entre neutro e levemente acima da média do mercado. O banco atribui essa postura às avaliações relativas consideradas atrativas e à possibilidade de diversificação dos portfólios.
O Itaú BBA afirma que o Brasil é visto como uma alternativa à concentração global em empresas relacionadas à inteligência artificial. A exposição a instituições financeiras, commodities e à economia doméstica aparece como uma forma de equilibrar carteiras mais dependentes de ações ligadas à IA.
A cautela, porém, continua presente. Incertezas fiscais, desaceleração do crescimento e preocupações com o ciclo de crédito mantêm as carteiras defensivas. Para que ocorram entradas mais fortes de recursos, o banco avalia que será necessário haver maior confiança no ciclo de redução dos juros e mais clareza sobre a situação fiscal.
Entre os setores brasileiros, os financeiros são os preferidos, com prioridade para empresas consideradas de qualidade. BTG e a fintech Quality Bank aparecem entre as apostas mais consensuais. O Bradesco é apontado como a principal tese de recuperação de valor. No Nubank, as avaliações estão divididas por causa do valuation, dos riscos relacionados ao crédito e da expansão nos Estados Unidos.
Commodities e empresas exportadoras
O relatório registra uma retomada do interesse por commodities e exportadoras, impulsionada por tendências globais e pela demanda de energia e metais associada à IA. A Petrobras (PETR3; PETR4) é citada como a principal exposição brasileira ao segmento, com destaque para os dividendos e o aumento da produção no pré-sal.
A Embraer (EMBJ3) continua entre as empresas de maior convicção por sua receita global. Já a Vale (VALE3) recebeu menos atenção no roadshow nos Estados Unidos do que na Ásia.
Para acompanhar o desempenho do mercado brasileiro, investidores também procuram empresas que possam se beneficiar de juros menores e de uma melhora fiscal. O Itaú BBA menciona BTG (BPAC11), B3 (B3SA3), XP, Localiza (RENT3) e construtoras selecionadas, como a Cyrela (CYRE3). Empresas menores despertaram mais interesse, desde que tenham liquidez, geração de caixa e revisões positivas de lucro.
Na América Latina, fora do Brasil, o Peru é o país preferido pelo banco, com destaque para a Credicorp. O México aparece com posição neutra ou abaixo da média, enquanto a exposição à Argentina permanece concentrada no setor de energia.



