Os fundos de ações registraram resgates pelo oitavo mês consecutivo. No acumulado do ano até agosto, o segmento perdeu R$ 8,1 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
A retirada de recursos contribuiu para a redução do patrimônio de gestoras independentes. Entre as 1.075 gestoras acompanhadas pelo ranking da Anbima, 90 tiveram queda de 50% ou mais no patrimônio sob gestão de fundos em cinco anos. Esse grupo representa 8,37% do total.
Gestoras conhecidas pela atuação em ações aparecem entre as empresas que encolheram. A Constellation, de Florian Bartunek, passou de R$ 8,3 bilhões para R$ 1,3 bilhão. A Dahlia Capital reduziu o patrimônio de R$ 12,20 bilhões para R$ 2,8 bilhões.
Na Absoluto, o patrimônio caiu de R$ 14,4 bilhões para R$ 3,8 bilhões, uma redução de 73,3%. A IP Gestão de Recursos teve queda de 53,1%, passando de R$ 5,1 bilhões para R$ 2,4 bilhões.
A Moat Capital também reduziu o patrimônio dos fundos, de R$ 7,5 bilhões para R$ 575 milhões. A gestora adotou uma estrutura menor e especializada: a equipe passou de 24 para nove pessoas, com ampliação da cobertura de investimentos internacionais e uso de inteligência artificial e cientistas de dados nos processos de gestão.
Luiz Paulo Aranha afirma que a indústria não deve recuperar o tamanho anterior, mesmo com uma eventual queda dos juros. A estratégia da Moat é concentrar esforços em uma estrutura mais enxuta, sem ampliar a atuação para outras classes de ativos.
A redução no patrimônio dos fundos não indica necessariamente uma crise nas gestoras. O ranking da Anbima considera apenas fundos nacionais e não inclui atividades como carteiras administradas, administração fiduciária e fundos no exterior.
A mudança na relação entre risco e retorno está entre os motivos para a saída dos investidores. Com os juros em níveis elevados, alternativas de renda fixa passaram a oferecer retornos considerados elevados sem a mesma volatilidade dos fundos de ações. Entre as opções estão títulos públicos, CDBs, fundos e instrumentos de crédito que podem ter isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Os ETFs também ganharam espaço por permitirem exposição diversificada a índices, geralmente com custos menores que os fundos tradicionais. O investimento direto no exterior ficou mais simples, levando parte do patrimônio a ações, ETFs e outros ativos internacionais.
Para William Eid, professor da FGV, as gestoras médias ficaram pressionadas pela concorrência de grandes bancos e plataformas, de um lado, e de casas menores e especializadas, de outro.



