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Investigação aponta suspeitas de ligação entre PCC e empresas de ônibus de São Paulo

Operação do Ministério Público de São Paulo investiga 12 das 22 empresas que atuam no transporte coletivo da capital.

Investigação aponta suspeitas de ligação entre PCC e empresas de ônibus de São Paulo
Foto: Van Campos/Fotoarena/Fotoarena/Estadão Conteúdo

A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo, investiga possíveis vínculos entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e 12 das 22 empresas que operam os ônibus da capital. O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foi preso. O nome do vereador Milton Leite (União), ex-presidente da Câmara Municipal, aparece em decisões judiciais relacionadas ao caso, mas as suspeitas ainda estão em apuração.

A investigação também reacende a discussão sobre o interesse do crime organizado no transporte coletivo. Para o professor Ciro Biderman, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a principal explicação não está na quantidade de dinheiro vivo circulando nos ônibus. O sistema passou a usar mais meios eletrônicos de pagamento, como o Bilhete Único, reduzindo a circulação de cédulas.

Por que o setor é atrativo

Na avaliação do pesquisador, empresas de ônibus podem permitir grandes aplicações financeiras, transformar recursos ilícitos em receita formal e manter um fluxo diário de dinheiro. O setor também exige um aporte elevado, tem operação menos complexa que outras áreas de infraestrutura e movimenta recursos continuamente.

“Uma vez que você compra frotas de ônibus, você precisa comprar combustível, precisa contratar pessoas”, afirmou Biderman. Segundo ele, a atividade passa a gerar uma receita permanente, com entrada diária e liquidez formal.

A operação ainda depende de contratos, regras de concessão ou permissão, fiscalização e formas de remuneração definidas pelo poder público. Por isso, uma empresa do setor pode criar relações institucionais com agentes responsáveis por decisões administrativas, pagamentos, contratos e fiscalização.

As 12 empresas investigadas operam todas as linhas de distribuição local de São Paulo, que atendem deslocamentos dentro dos bairros e entre regiões próximas. Juntas, concentram 510 linhas municipais, o equivalente a 38% da rede da capital.

Em agosto de 2026, elas transportaram 72.947.123 passageiros. No mesmo período, o sistema municipal registrou 177.902.234 embarques. As empresas responderam por cerca de 41% dos passageiros transportados pelos ônibus da cidade naquele mês.

O desembargador Sérgio Ribas escreveu na decisão que autorizou a operação: “12 das 22 empresas de transporte operando o sistema de transporte coletivo da capital são, em tese, controladas pelo PCC”.

Empresas citadas

A lista inclui Viação Transcap Transportes, atualmente Bless; Alfa Rodobus Transportes; Transwolff Transportes; A2 Transportes; Imperial Transportes; Move Buss Transportes; Pêssego Transportes; Allianz Transportes, atualmente Allibus; Transunião Transportes; Qualibus Transportes, atualmente UPBus; Norte Bus Transportes, que integra o Consórcio Transnoroeste; e Spencer Transportes, também integrante do consórcio.

Em abril de 2024, a Operação Fim da Linha, do Ministério Público, já havia investigado suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do PCC em empresas de ônibus da capital, incluindo a Transwolff e a UpBus. O Ministério Público também denunciou 19 pessoas por suspeitas relacionadas ao chamado “banco do crime”, estrutura financeira atribuída ao PCC. A acusação afirma que empresas de fachada, contas de terceiros e laranjas eram usadas para movimentar recursos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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