A empresária Manoella Duarte relatou nas redes sociais problemas enfrentados pelo marido, Rodrigo Bacellar, na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Segundo ela, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) está com marcas de alergia pelo corpo, inflamação em um dedo do pé e marcas provocadas por algemas.
Manoella disse que visitou Bacellar na quinta-feira (10), após dois meses sem vê-lo. De acordo com o relato, ele enfrenta dificuldades para dormir e tomar banho. O banho seria feito com um caneco, e a cela não teria ventilador. A empresária também afirmou que o marido espalha sabonete pelo corpo para tentar evitar picadas de mosquitos.
Ela relatou ainda que Bacellar chegou a colocar o pé em comida quente para aliviar as dores causadas pela inflamação. Segundo Manoella, embora exista atendimento médico na unidade, há restrições para a entrada de medicamentos prescritos pelos profissionais que acompanham o ex-deputado. Ela afirmou que as condições têm afetado a saúde física e psicológica dele.
A empresária também mencionou dificuldades para o banho de sol. Conforme o relato, os horários seriam divididos entre grupos rivais dentro do sistema prisional, o que impediria Bacellar de utilizar o benefício nos mesmos períodos dos demais presos.
Manifestação da Senappen
Manoella afirmou que não pretende discutir o processo judicial nem as acusações contra o marido. Ela disse confiar na Justiça, mas defendeu que as condições de custódia preservem a dignidade e os direitos básicos das pessoas presas. “Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado”, escreveu.
A empresária ressaltou que Bacellar é preso provisório e ainda não foi julgado nem condenado. “Peço o mínimo: água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele”, afirmou.
A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informou que todos os presos do Sistema Penitenciário Federal recebem a assistência prevista na Lei de Execução Penal e são atendidos conforme os protocolos das unidades.
A secretaria disse que as penitenciárias federais têm Unidade Básica de Saúde (UBS), telemedicina e equipes multiprofissionais com médicos, farmacêuticos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros especialistas. O órgão afirmou que não divulga dados individuais sobre estado de saúde, diagnósticos, tratamentos ou medicamentos, em razão do sigilo médico e da legislação de proteção de dados pessoais.
Processo judicial
Bacellar é réu em uma ação sobre o suposto vazamento de informações de uma operação contra o Comando Vermelho. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo teria atuado entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025 para repassar informações sobre a Operação Zargun.
A acusação afirma que o vazamento teria permitido que Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, então deputado estadual e um dos alvos da operação, retirasse objetos de sua residência antes da chegada dos policiais. Também são citados Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado.
O ministro Alexandre de Moraes afirmou que os elementos reunidos na investigação indicam possível obstrução de investigação contra organização criminosa armada. A PGR sustenta que Bacellar conversou com Thiego Raimundo sobre a operação em 2 de setembro de 2025, na sede do Poder Legislativo fluminense.



