SÃO PAULO — Uma confusão entre um promotor de Justiça e advogados interrompeu um julgamento no Tribunal do Júri da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, na quinta-feira (17). Vídeos registraram o momento em que o promotor Thomas Mohyico Yabiku caiu no plenário após ficar frente a frente com o advogado de defesa Renato Soares do Nascimento.
Yabiku declarou em ata que foi empurrado pelo advogado. Renato nega a agressão e afirma que o promotor se jogou no chão. As gravações, de 3 segundos, mostram os dois próximos um do outro. Renato aparece com o braço esquerdo para trás e o direito apontado para o juiz antes da queda. Não é possível determinar pelas imagens se havia algum objeto ou obstáculo no chão.
Ao fundo, é possível ouvir as palavras “doutor”, “parem” e “para com isso”, sem identificar quem fala. O vídeo foi gravado pelo advogado Mauro Ribas Junior, que não fazia parte do processo. Ele estava na plateia e deixou o plenário por determinação do juiz.
Do lado de fora, Mauro continuou filmando. As imagens mostram Yabiku seguindo o advogado, que afirma ter registrado a queda. O promotor também parece filmá-lo, e os dois discutem. O conteúdo gravado por Yabiku não foi disponibilizado. Análises feitas com ferramentas de detecção de inteligência artificial não encontraram sinais de geração ou manipulação nas gravações divulgadas pelos advogados.
Versões sobre o episódio
A Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público divulgou nota na sexta-feira (18) em defesa do promotor. O órgão afirmou que um dos defensores se colocou de forma agressiva diante de Yabiku e o derrubou com o corpo. Também disse que outro advogado gritou e dirigiu impropérios ao promotor.
Ainda conforme a Procuradoria, Yabiku não revidou e o julgamento não pôde continuar depois que os advogados deixaram o plenário. O órgão informou que os fatos serão apurados pelas instituições competentes, com respeito ao devido processo legal. Não há confirmação de que a Procuradoria tenha tido acesso aos vídeos.
Renato declarou que o promotor se aproximou enquanto ele falava com o juiz e simulou uma agressão. “O vídeo está aí, eu nem encosto nele”, disse o advogado. Mauro afirmou que começou a filmar porque Yabiku teria se aproximado de forma agressiva do defensor diante da bancada da defesa.
A ata registra relatos diferentes. O promotor afirmou que Renato passou a gritar e o empurrou, provocando a queda. Já a defesa relatou que Yabiku foi até a bancada de forma ostensiva e intimidatória, depois caiu e atribuiu falsamente ao advogado um empurrão.
Renato disse que não se sentia bem para continuar na sessão. O juiz dissolveu o Conselho de Sentença e marcou um novo júri para 18 de março de 2027.
Processo que estava em julgamento
A sessão analisava a acusação contra Emerson Silva de Brito, apontado como participante da morte do catador Marcelo Edimar da Silva, de 26 anos, dentro do Autódromo de Interlagos, em novembro de 2024. Emerson também responde por homicídio qualificado e afirma ser inocente.
Segundo a acusação, as mãos e os pés da vítima teriam sido amarrados, e ela teria sido agredida até morrer. O caso também envolvia Francisco das Chagas de Sousa Alves, que foi absolvido pelo Tribunal do Júri em 5 de março de 2026. Renato atuou na defesa dele naquela sessão.
A defesa de Emerson informou que pretende encaminhar o caso à Corregedoria do Ministério Público do Estado de São Paulo, ao Conselho Nacional do Ministério Público e à Justiça para apurar a conduta do promotor.



