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MP denuncia dono de bar e fornecedor por venda de bebida com metanol em Guarulhos

Homem perdeu a visão após consumir vodca adulterada; investigação apontou metanol em oito garrafas apreendidas no estabelecimento.

MP denuncia dono de bar e fornecedor por venda de bebida com metanol em Guarulhos
Foto: Arquivo pessoal

O Ministério Público de São Paulo denunciou João Otávio Carlos Olinda, dono do bar Budega Acopiara, em Guarulhos, e Gilmar Silva dos Santos, vendedor de bebidas clandestinas, por envolvimento na venda de produtos adulterados com metanol. A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira (25) pela 16ª Promotoria de Justiça de Guarulhos.

A vítima, Claudio Crespi, consumiu vodca em 27 de setembro de 2025, depois de passar pelo estabelecimento. Ele teve intoxicação grave, precisou ser internado e perdeu permanentemente a visão, conforme laudo pericial.

Bebida usada no atendimento

Durante o atendimento, uma garrafa de vodca russa com 40% de teor alcoólico, mantida pela família de Cláudio como decoração havia 5 meses, foi usada como antídoto. A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informou que o Centro de Assistência Toxicológica recomendou a administração do etanol por sonda nasogástrica.

A pasta explicou que o etanol pode ser utilizado em situações emergenciais quando o fomepizol não está disponível. O procedimento deve ocorrer em uma unidade de saúde, porque o álcool bloqueia a transformação do metanol em substâncias tóxicas.

O Ministério Público afirma que João adquiria bebidas de diferentes fornecedores sem exigir documentação fiscal de todos os produtos e priorizava os menores preços. Gilmar declarou à polícia que forneceu garrafas vendidas como uma marca conhecida, compradas de vendedores desconhecidos nas proximidades do Mercado Municipal de São Paulo.

Em uma operação realizada em 15 de outubro de 2025, policiais apreenderam garrafas de vodca no bar. A perícia identificou metanol em oito amostras, com concentrações entre 34,6% e 40,9%. Os produtos foram considerados adulterados, impróprios para consumo e gravemente nocivos à saúde.

João foi denunciado por lesão corporal culposa e comercialização de produto alimentício ou medicinal adulterado, alterado ou nocivo à saúde. Gilmar responde, na denúncia, por distribuição e entrega ao consumo de produto adulterado e nocivo à saúde. A Justiça ainda vai analisar a acusação; os dois poderão virar réus. O MP pediu que o processo seja encaminhado a uma das Varas Criminais de Guarulhos.

Reabilitação e novos casos

Cláudio afirmou que precisou reaprender a ler, andar e falar. Aos 55 anos, participa de atividades de reabilitação e tenta recuperar a autonomia.

O hepatologista Rogério Alves explicou que o metanol é transformado no fígado em substâncias que podem atingir o nervo óptico e o sistema nervoso. Segundo ele, não é possível diferenciar visualmente o etanol do metanol, porque ambos têm cheiro e aparência iguais.

Dados do Ministério da Saúde apontam que 2025 terminou com 73 casos confirmados de intoxicação por metanol ligada a bebidas adulteradas e 25 mortes. Até meados de agosto de 2026, havia 17 casos confirmados e 23 sob investigação. Secretarias estaduais de Saúde confirmaram sete mortes neste ano.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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